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Vocês, Os Vivos

6 ago

Acho que não sou só eu, mas sempre topo com coisas incríveis que acabam comigo porque não são minhas. Poucas obras me despertaram tanto essa sensação como Vocês, Os Vivos (Du Levande), de Roy Andersson.

O cineasta sueco já dirigiu seis curtas e quatro longas e a excentricidade é uma característica presente em suas obras, inclusive nos comerciais que ele produz para sustentar suas extravagâncias fílmicas. Em Vocês, Os Vivos Andersson coordena e enquadra tudo perfeitamente com uma câmera fixa, geralmente a partir de um plano um pouco elevado.

O que mais me fascinou no filme foi a maneira que ele nos força a olhar o quadro inteiro, detalhadamente – já que não é só no primeiro plano que acontece a ação, mas atrás de toda janela ou porta ou fresta há uma (suposta) banalidade a ser reparada. Por não haverem diálogos ou enredo lineares, acredito que muitos o acharão entediante e confuso (e isso ele é mesmo), mas a beleza do filme está na trivialidade das cenas que se sustentam sozinhas e delineam a tragicomédia humana.

Embora sejam filmes e propostas muito diferentes, não pude deixar de lembrar do Baraka, talvez por ambos retratarem cenas randômicas de comportamentos e apresentarem-nos de uma maneira imparcial e longíqua, colocando-nos na posição de observadores também imparciais.

Sim, eu enchi o post de imagens porque 1: a fotografia é incrível e 2: quero convencê-los a assistir esse filme que é, sem dúvida, diferente de tudo que já vi. E, ó, pra isso até aprendi a mexer no Movie Maker e cortar uma das cenas mais incríveis de suas uma hora e meia de duração:

Superando a procrastinação em 3 minutos.

1 ago

Acredito que a iminência do final das férias nos perturbe tanto pelo simples fato da privação de procrastinar. A cineasta Miranda July, para divulgar seu novo filme, “The Future”, que estreeou nos Estados Unidos no dia 29 de julho, produziu um curta com dicas para que superemos este mal.

Em “A Handy Tip For the Easily Distracted” a própria Miranda recolhe os objetos que a destraem e os esconde de modo que, para resgatá-los, ela terá que colocar seu vestido de estimação em risco.

Achei a ideia válida até a aplicaria se minhas distrações não fossem mais complicadas e maiores. Nota mental: comprar bacias que caibam pessoas, minha cama e a geladeira.

Como um artista

29 mai

Uma tira pra gente reler quando vierem aqueles pensamentos bobos sobre nós mesmos e nossas capacidades:

No atelier de Ericka Lugo

26 mai

Ericka Lugo é uma ilustradora de Porto Rico, nascida em 1986. Gosto muito do aspecto de rascunho de seus desenhos, mesmo nas pinturas digitais, além da combinação de cores vibrantes com tons claros e escuros, em composições bem expressivas. Seu trabalho pode ser visto em seu blog e em sua página no deviantART.

Be yourself, respect your youth

11 fev

Primeira imagem da era Born This Way

Escrevo este post já rouco (às 9 horas da manhã) e sem conseguir parar de dançar e cantar (ou desativar o replay). Em 2009, no VMA, uma garota de apenas 23 anos colocava suas garras sangrentas para fora. Antes disso, uma infinidade de hits e estilos levaram-na ao estrelato em uma velocidade inimaginável. Nem Madonna, à qual ela foi sempre comparada, conseguiu tamanha façanha em tão pouco tempo. Sangrando durante 4 minutos em televisão aberta, ela enterrava a era The Fame, cheia de humor irônico, apelo sexual e hits descompromissados. Nascia a era The Fame Monster, uma verdadeira apologia à monstruosidade, em todas suas faces (ou olhos, garras e presas) e, principalmente, ao medo. Uma gogo dancer e performer de New York, vinda de família italiana e tradicional, de repente, tornava-se a mulher mais conhecida no mundo. Paparazzi, fãs “xiitas” e os meios de comunicação tentaram derrubá-la, inventando mentiras sobre seu sexo, amantes e intenções artísticas. Mas a ela só interessavam as mentiras que ela mesma queria contar. E as de seus fãs também. O Manifesto of Little Monsters selou o pacto entre ela e milhões de crianças, jovens e adultos, seus little monsters, mentirosos por natureza. Com a Monster Ball, ela trouxe todos seus monstros ao palco, derrubando um a um. O amante canibal, o horrível peixe abissal da infância, as drogas, o escuro, os fantasmas underground. Com o videoclipe de Alejandro, ela enterrava a era The Fame Monster, pois os monstros já não conseguiam mais assustá-la. Sua nudez frente aos soldados do vídeo mostrava: ela estava preparada para dar sua cara a tapa e seguir em frente. Ela já tinha fama, não precisava mais falar sobre isso. Cabelo curto, roupas mais simples e a divulgação de You & I não enganavam: a estrela havia sofrido uma mutação. Seria somente por estar apaixonada, novamente, por um cool Nebraska guy? E daí? Ela nunca escondeu a essência sentimental de toda sua arte.

Na mesma época do lançamento de Alejandro, ela revisitava sua cidade natal, reencontrava seus velhos amigos e família, refazia um romance. A época perfeita para anunciar, oficialmente, a vinda de um novo álbum. Já no VMA de 2o10, enquanto o mundo chocava-se com sua roupa de carne, os little monsters festejavam o anúncio do nome de seu novo trabalho: Born This Way. Nos meses seguintes, tudo o que tínhamos eram quatro versos: I’m beautiful in my way / ‘Cause God makes no mistakes / I’m on the right track, baby / I was Born This Way. Já bastava (por hora). Sabíamos que ela tornaria verdade as mentiras contadas todas as noites, durante seus gigantescos concertos: retribuiria toda a confiança depositada nela por seus fãs, os responsáveis por ela chegar aonde está. E o principal: lutaria por eles e por seus direitos. Dito e feito: hoje, dia 11 de Fevereiro de 2011, a cantora lança seu novo single: Born This Way.

Capa do single “Born This Way”

Crianças sofrendo dentro e fora de casa por gostarem dos brinquedos que seus pais e professores acham inapropriados. Adolescentes que são obrigados a “castrar” sua sexualidade, para não viverem uma guerra em casa e na escola. Em troca disso, vivenciam batalhas contínuas e dolorosas, dentro de si mesmos. Aqueles que não encontram apoio em amigos ou em psicólogos, morrem mentalmente e/ou fisicamente. Adultos que encontram, nos outros, repulsa e discriminação, por estarem amando alguém do mesmo sexo. E essas pessoas são as que sofrem por questões sexuais e religiosas. A música ainda traz à tona aquelas que são discriminadas por sua etnia, cor da pele, ascendência ou credo. E os versos de Born This Way falam de todas essas pessoas que vivem um inferno por terem nascido diferente do que os outros esperam delas. Seria absurdo afirmar que essa cantora é a primeira a trazer esse assunto à tona, mas será que os fatos de ela ser a mais conhecida no mundo e de sua música, a partir de agora, começar a tocar em todos os lugares, rádios e casas, não farão a diferença? Discursos até mais elaborados do que o dela espalham-se por todo o mundo (ainda bem), mas, com certeza, a partir de 2011, o de Lady Gaga será o mais ouvido. A capa do single resume muito bem toda a elaborada letra e a musicalidade super bem produzida de Born This Way: Gaga agora é aquela que une o monstro e a beleza, como o unicórnio, símbolo (clássico) de sua nova era. Nua e etérea, mas ao mesmo tempo poderosa e indestrutível, ela mostra que está pronta para a batalha e que será impossível derrubá-la. Sem recorrer ao ódio ou à intolerância, ela inicia uma guerra. Dê o play na primeira batalha.

Ser y Grafia

22 nov

Em 2010, a Quina Galeria reafirmou sua importância para a arte contemporânea de Belo Horizonte. Infelizmente, o ano está terminando e é hora (já?) para a última exposição de 2010. Mas temos certeza de que 2011 será ainda mais cheio de ótimos eventos, exposições e novos artistas na promissora galeria.

Dessa vez, a Quina traz o melhor da serigrafia de nosso país e de nossos irmãos argentinos. A sempre animada abertura acontecerá neste sábado e a exposição estará aberta até o dia 12 de Dezembro. Imperdível!

Os amores de Joapa

25 out

Acredito que o que marca mais o trabalho artístico de João Paulo Tiago seja amar demais.Joapa ama a cultura japonesa, as cores saturadas, os traços negros, finos e precisos, as aquarelas simples e geniais, as fantásticas histórias dos mangás e animes, a mensagem de amizade de Doraemon, os grandes e expressivos olhos, os corpos diminutos e grandes cabeças fofas dos chibis.

Ama o homoerotismo, as frontes baixas, as sobrancelhas grossas, os corpos definidos e vigorosos, as curvas fechadas, os pêlos, as barbas, os cabelos curtos, a comunhão entre dois semelhantes, o suor trocado, os suspiros úmidos, as relações que, de tão naturais, chegam a parecer pecaminosas.

Ama o Sagrado, o Espírito Santo, a paixão dos corações ardorosos e dilacerados, o Pai, a Mãe, o dourado, o azul e o vermelho das igrejas barrocas, as luzes vacilantes das velas em procissão.

Ama a música pop, dançar como se ninguém estivesse vendo, as coreografias, os videoclipes, os hits, os absurdinhos, os clubs, as pick ups, os remixes, as noites caramelizadas e alcoolizadas, os pubs, o suor no fim da noite, os amigos de uma noite e de uma vida inteira, a ressaca moral do dia seguinte.

Ama a poesia, seja nos versos de Drummond, nas epifanias de Clarice, nos vídeos de Björk ou nos desfiles de Lee.

Ama Lady Gaga, a diversão, o just dance, o little bit too much, os soldiers, a liberdade, a divice e as surpresas.

Ama o café, o chá, as massas e outros petiscos, seja em casa, seja no bar, mas sempre em companhia dos amigos.

Ama envolver-se, jogar-se, seja na arte, seja nos relacionamentos. Porém, tanto amor pode acabar se transformando em ódio ou amargura, mas sempre vem um novo amor apagar os resquícios ruins daquele que não deu certo.

Ama até quando o amor é uma paixão fingindo que é amor.

Afinal, acho que Joapa ama mesmo é amar. Ama o amor, pura e simplesmente.

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