Um texto de Rafael Reis.
LCD Soundsystem is not playing at my house
Alexander, our older brother,
set out for a great adventure.
Arcade Fire
Foi em outubro de 2005 minha primeira viagem para um show. Arcade Fire, Strokes e Wilco tocariam no Tim Festival. Imperdível. Época de vacas magras, 4º período de faculdade, juntei umas economias e fui do jeito que deu: busão pro Rio de Janeiro, dormir de favor no chão da sala da casa de unsamigos de um amigo, comer apenas o necessário, voltar de carona com um recém conhecido, etc. Nada disso era problema, o importante era ver os shows, que foram fodas. Desde então, dificilmente passo um ano sem ver alguma apresentação legal de bandas que vêm para o Brasil. Felizmente, as vacas engordaram um pouco nesses 6 anos. Infelizmente, ainda é preciso gastar uma grana alta com viagens (fora o cansaço), pois BH continua à margem da cena artística contemporânea.
Minha mais recente aventura foi ver o show de despedida da banda norte-americana LCD Soundsystem, cujo líder, James Murphy, decidiu dar um tempo para tocar adiante alguns projetos paralelos. Diga-se de passagem, o LCD tocou em BH, salvo engano, em 2007. Não vi o show na ocasião, então só me restava pegar uma grana e ir pra SP, era a última chance…
Como tudo foi combinado em cima da hora, a viagem acabou ficando mais cara do que o normal. Saímos de BH na sexta, dia 18, às 11:40. Voltamos às 18:00 do dia seguinte. O show foi muito intenso e animado, a banda tocou suas melhores músicas durante aproximadamente 1 hora e 50 minutos. Para mim, faltou tocarem apenas “Watch the tapes”, do álbumSound of Silver. De pontos negativos, achei a produção muito desleixada: além do palco muito pequeno, o som estava bem ruim. Ouvia-se mal o vocal de James Murphy e a voz de Nancy Whang, tecladista com algumas participações vocais importantes, era quase inaudível. Uma pena.
Ainda não fiz todas as contas, mas juntando deslocamentos (avião + metrô + táxi + ônibus), hospedagem (Formule 1, tosco mas funcional), ingresso e despesas com bebida e alimentação, acho que foram uns R$ 1000. Caro? Muito, se pensarmos que foi apenas “uma saída”. Valeu a pena? Para mim, sim. Mas sempre fico na esperança de que um dia os produtores musicais de BH vão resolver entrar na briga pelosbons shows; que alguém construirá uma casa de shows decente; e que, principalmente, teremos público para isso aqui na roça. Quando isso acontecer, viajar será uma opção, não uma obrigação.