Arquivo | maio, 2010

Black Drawing Chalks quase ao vivo na sua casa

31 maio

Lembra dos Black Drawing Chalks sobre quem falamos aqui há algum tempo? Pois é, os goianos optaram pelo abandono da animação em seu segundo videoclipe, mas continuam com a excentricidade audiovisual. O clipe de Don’t Take My Beer, que consta no segundo álbum, Life is a Big Holiday For Us (de onde emergiu também o primeiro vídeo), mostra a banda a tocar em uma espécie de garagem repleta de groupies, tudo no mais puro visual rock’n’roll. A melhor parte, contudo, vem no que diz respeito à utilização daqueles seus velhos óculos de papel celofane: com o auxílio deles, o clipe pode ser visto em 3D! Da só uma olhada:

A arte suja de Machinarium

31 maio

Além dos elaboradíssimos jogos que demandam meses de trabalho dos produtores e enormes quantidades de dinheiro que são colocados à venda todos os meses, existem aqueles mais simples, muitas vezes em duas dimensões, costumeiramente produzidos por equipes pequenas, sem muita fama e com orçamento limitado. Este último tipo de jogo costuma exigir menos desempenho da máquina em que é emulado e ser mais barato de se adquirir, o que nem sempre significa que proporcione menos diversão do que outros. Um bom exemplo disso tudo é o jogo Plants VS. Zombies, ao qual confesso ter dedicado algumas boas horas da minha vida (diversão e risos garantidos) e cujo trailer pode ser conferido aqui.

Jogos assim raramente têm algo a acrescentar além da diversão. Não é o caso de Machinarium, que além de viciantemente divertido, tem três quesitos que se sobressaem logo de início. O primeiro deles é o sistema de jogo: cada cenário é um pequeno quebra-cabeça que pode tanto ser resolvido em segundos (raramente), quanto fazer com que você passe cinquenta anos e meio em frente à tela do computador tentando resolvê-lo (mais comum). O segundo é a sonoplastia: as músicas instrumentais, assinadas pelo tcheco Tomáš Dvořák e que embalam os desafios do jogo, criam uma atmosfera única, além do fato de que não há quaisquer diálogos falados (nem escritos) nele: a comunicação entre personagens é feita por meio de desenhos. Algo que faz com que, além das canções, haja apenas o barulho metálico de máquinas funcionando ou o pequeno robô, personagem principal, se estatelando no chão após uma queda. O terceiro aspecto talvez seja o que mais chama a atenção: a arte visual. Os cenários do jogo são elaborados de forma extremamente detalhista e enchem os olhos, tornando-se mais um motivo para experimentar o produto da Amanita Designs (que, antes de Machinarium, produziu Samorost 1 e 2). Gráficos tão bem feitos lhe renderam o prêmio de Excelência em Arte Visual do Independent Games Festival 2009. A versão de demonstração do jogo (que não revela tanto assim o potencial do mesmo) pode ser jogada no site dele. Mesmo quem não é fã do antigo sistema point-and-click (em que joga-se apenas com cliques do mouse, nada mais) em que é baseado o jogo, deveria dar uma chance a Machinarium, mesmo que seja para aproveitar o deleite visual da bela arte gráfica e tirar um bom e velho screenshot para colocar como plano de fundo da sua área de trabalho (sim, eu fiz isso).

Enquanto isso, em Barcelona

31 maio

El Gran Hermano te vigila.

(Praça George Orwell/Praça Trip – Barcelona, Espanha)

A psicodelia de Paul Neave

30 maio

“Tente pensar em um elefante. Agora tente pensar em outro. Adimita: os dois eram o mesmo elefante, não eram?”

Resolvi não colocar imagens do site neste artigo. É melhor que você vá até lá e veja por si mesmo. Neave é um site criado pelo designer londrino Paul Neave (Twitter do colega aqui)  que dispõe de treze inusitadas, interessantes e diversificadas maneiras de se passar o tempo ocioso, se divertir ou fazer o que mais você descobrir ser possível. É provável que você se surpreenda, não só com a criatividade de Neave, como também com a sua própria. A seguir um resumo do que se pode encontrar no site:

  1. Flash Earth coloca à sua disposição imagens de satélite da Terra adquiridas através de múltiplas fontes, incluindo a NASA e a Microsoft.
  2. Planetarium vai lhe mostrar um belo céu estrelado pelo qual você poderá rodopiar à vontade, identificar constelações e, quando tiver curiosidade, passar o mouse por cima de uma estrela para saber seu nome, sua constelação, sua magnitude e sua distância de nós.
  3. Games disponibiliza remakes de jogos clássicos como Space Invaders, Tetris N-Box, Asteroids, Snake, Simon, Jogo-da-velha, Hexxagon e Frogger.
  4. Imagination fará com que linhas de luz e fumaça saiam da ponta do seu mouse em um fundo preto, formando texturas e desenhos interessantes.
  5. Fractal te levará em uma viagem de zoom eterno que segue os princípios de um complicado conceito matemático (sobre o qual você pode tentar saber mais aquiaqui)
  6. Television é uma televisão sem contexto. Entre color bars e chiados você assistirá a trechos randômicos de uma coisa qualquer.
  7. Strobe te fará ver tudo de uma forma diferente da que você costuma ver. O Extra Virgem! não recomenda que você dirija nem opere máquinas perigosas logo após a experiência.
  8. Anaglyph dará utilidade àqueles óculos 3D que você roubou de algum filme ou ganhou junto com aquela revista de dinossauros quando tinha dez anos. Com ele você poderá desenhar e escrever em três dimensões, girar e aproximar/afastar sua imagem. Se você não tem um óculos 3D, faça um: vale a pena.
  9. Bounce deixa bolinhas coloridas de diferentes tamanhos na sua tela. Coloque uma música ou fale algo (requer microfone) e as bolinhas vão pular de acordo com o som.
  10. Light segue o mesmo princípio de Bounce, exceto que, nele, o show é de luzes.
  11. Dandelion consiste num dente-de-leão virtual que você pode soprar (requer microfone) e sacudir eternamente, já que ele sempre se renova.
  12. Webcam é um conjunto de gravações interessantes feitas pelos internautas através de suas webcams com alguns efeitos que o site disponibiliza. Além de assistir, você pode se divertir com os efeitos fazendo, você mesmo, gravações (requer webcam).
  13. Voting questiona e estuda o ato de votar. Nele, você se deparará com perguntas estranhas que exploram fatores como a influência que a construção da pergunta exerce sobre sua resposta. Exemplo:

Armpit hair?

  • Long and dangly
  • Short and matted
  • Fashioned into a small hat

Enfim, vale muito a pena dar uma passada pelo Neave, a não ser que você esteja estudando para algum vestibular ou tenha algum projeto importante para entregar no trabalho por esses dias, pois o site tomará uma parcela razoável do seu tempo.

Lirismos de Quinta – 27/05/10

28 maio

Acho engraçado quando a gente esquece que é quinta-feira e o post acaba virando um Lirismo de sexta. Talvez o leitor não ache tão engraçado assim a nossa desorganização, mas aqui vai um poema visual em que se pode pensar um pouco nesta sexta-feira iminentemente chuvosa de Belo Horizonte:

The Perry Bible Fellowship

27 maio

The Perry Bible Fellowship é um site em que se reúnem as tirinhas desenhadas por Nicholas Gurewitch. A maior parte dos quadrinhos produzidos pelo americano para o TPBF abordam temas como guerra, sexualidade, religião, ficção científica, morte e questões éticas. Nada que lide com tais assuntos poderia deixar de ser controverso e o Perry Bible não é uma excessão. O grande destaque vai, porém, para a variedade de estilos e instrumentos com que Nicholas trabalha: aquarelas, desenhos à mão livre, pixel art, etc. Utilizando, às vezes traços mais elaborados e muitas cores e outras vezes apenas o contorno dos rostos e alguma leve expressão, cada tirinha parece ter sido obra de uma pessoa diferente. Para quem lida com a língua inglesa sem problemas, o endereço é este aqui, já para quem tem dificuldades neste sentido, há um blog brasileiro que traduz algumas das tiras para a gente aqui.

The Perry Bible Fellowship já esteve em alguns suportes importantes, incluindo 21 jornais e 5 revistas pelo mundo. A produção das tiras, porém, cessou em 2008. Para exemplificar a variedade e qualidade do trabalho, trouxe algumas para o blog:

DrawSpace – aprenda a desenhar online

27 maio

Para o leitor que sabe lidar com a língua inglesa e gosta ou quer aprender a desenhar, o site DrawSpace pode ser uma ajuda preciosa. Some-o a um lápis (ou um conjunto deles, para os desenhistas mais experientes) e algumas folhas de papel e tem-se o bastante para dias, semanas, meses de trabalho. A iniciativa partiu da educadora artística americana Brenda Hoddinott, e hoje conta com as contribuições de seis outros artistas.

O conceito é simples e eficaz: O site de Brenda dá ao internauta acesso a seções de guias de como desenhar determinada imagem. Desde olhos, narizes, mãos ou até rostos inteiros, até lições a respeito de perspectiva e outros conceitos da ilustração. É surpreendente o quanto os passo-a-passos são diversificados e detalhados. E a melhor parte é que tudo isto é gratuito. Os interessados precisam apenas fazer um cadastro rápido (muito útil, uma vez que o site passa a lhe enviar e-mails periodicamente com as novidades recém-postadas) que lhe dará acesso às texto-aulas ilustradas. Depois, o leitor pode procurar por nível de experiência em desenho (Iniciante, Intermediário e Avançado) ou pelas dezenas de habilidades e competências pelas quais os tutoriais são distribuídos.

A mim, porém, o slogan “Aprenda a desenhar online!” parece um tanto pretencioso. Contudo, sem dúvida, o endereço é uma descomunal ajuda para quem quer se engendrar nos caminhos do desenho a lápis. Dê uma olhada no site e, quem sabe, o leitor não se descobre a própria reencarnação de Da Vinci?