Bom dia, Tristeza

29 jun

Como participante quase inexistente do blog, devo admitir que sei pouquíssimo sobre a dinâmica de posts, assuntos, quintas disso, sextas daquilo. Aos meus colegas mais dedicados e entretidos com o Extravirgem!, eu peço desculpas, e um cadinho de entendimento. Eu não sirvo para essas coisas, raramente tenho algo de interessante a dizer, e se acho algo para compartilhar, o faço de forma casual, sem compromisso, sei lá, durante as aulas de matemática ou ligando inconvenientemente durante meus horários de estudo. Por esse exato motivo, estou certa de que nunca terei um trabalho ou alguma coisa do tipo, nunca seria jornalista, aliás, eu seria uma péssima jornalista, morreria de fome, com certeza. Faço mais as coisas quando me dá na telha. E, cinco minutos atrás, antes de logar pela primeira vez em séculos na minha conta do wordpress, recebi uma notificação que o Extravirgem! tinha começado a me seguir no twitter, e assim, do nada, me deu na telha escrever alguma coisa. Talvez vergonha na cara, não sei ao certo. De qualquer forma, fui procurar um livro muito bonitinho que ganhei uns dois anos atrás, num aniversário qualquer. E esse livro se chama: Bom dia, Tristeza, de Françoise Sagan.

Como eu não tenho phD em escrever resumos ou sinopses para contra-capas, e nem me interessa agora fazer uma resenha (demora um tempo e eu estou esperando meu download de Nine acabar), me resta garantir que é uma leitura diferente, boa, com descrições detalhadas (do jeito que eu gosto) que acabam por montar um cenário bonito, mas do jeito melancólico e meio angustiado que a beleza pode ter (como a própria narradora explicita mais adentro – “Eu não dormia, mas colocava no toca-discos ao pé da minha cama discos lentos, sem melodia, só ritmo. Fumava muito, achava-me decadente, aquilo me agradava. Mas aquele jogo não era suficiente para me iludir: eu estava triste, desorientada.”)

Pois então, resolvi transcrever aqui o primeiro parágrafo do livro, que pra mim é o mais bonito, além trazer pra perto um sentimento tão comum nos últimos tempos. Sem mais delongas, aqui vai:

“Sobre esse sentimento desconhecido cujo tédio, cuja doçura me inquietam, hesito em usar o nome, o belo e o profundo nome de tristeza. É um sentimento tão completo, tão egoísta, que quase me envergonha, ao passo que a tristeza me pareceu digna. Esta, eu não conhecia, mas sim o tédio, a saudade e, mais raramente, o remorso. Hoje, algo se dobra sobre mim como uma seda, leve e suave, e me separa dos outros.”

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Uma resposta to “Bom dia, Tristeza”

  1. Clá 29/06/2010 às 20:58 #

    Que orgulho! 🙂 Gosto muito de lhe ver escrevendo, Café. Deixa essa displicência de lado e compartilha mais seus pensamentos conosco! Quis ler o livro. Me empresta?

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