Realidade

4 jul

O meu post hoje é sobre uma cena que eu presenciei um tempo atrás. Eu lembro que fiquei incomodada, mas acabei esquecendo, não dando muita importância, e me considero podre pelo o meu descaso. Eu estava saindo mais cedo da aula, e fui esperar minha mãe na esquina do colégio. Chegando lá, tinha um mendigo estirado na rua, fedendo, machucado, com bandagens na cabeça e nos braços. Ele estava totalmente decadente, uma visão horrível de se presenciar. As roupas estavam sujas, a calça toda suja do que eu presumi ser merda, é, merda mesmo, não cocô, não fezes, nenhum desses nomes politicamente corretos. Ele estava sujo de merda. E o cheiro era insuportável, eu quis não olhar, aliás, quis sair de lá o mais rápido possível. Mesmo assim, eu não conseguia desviar o olhar, parte por ser grotesco e parte por sentir o coração apertado. Essa sensação mudou pra raiva, e eu explico o porquê. Era óbvio que o mendigo havia saído de um hospital, e lá eles o trataram, enfaixaram, e o despacharam o mais rápido possível, sem nenhuma assistência, ou ajuda, ou ao menos preocupação do que aconteceria com aquele homem. Os próprios médicos acham que sarar um machucado é a sua única função, e assim que o paciente vai embora, o que acontece com ele é responsabilidade do Estado. Não desconsidero a obrigação do governo em oferecer assistência para os desafortunados, e por assistência eu me refiro a alimentação, saúde, moradia e, principalmente, dignidade. Mas um não anula o outro. É necessário que as pessoas se importem. O pior disso tudo é que essa é a realidade de muitas outras pessoas, pessoas que eu nunca vi, ouvi falar, ou dediquei muito do meu pensamento. Mas acho que, quando a gente vê uma cena dessa, é impossível não se sentir envergonhado com a nossa mesquinharia, o egoísmo desenfreado que cultuamos em todas as nossas relações. É muito fácil não se importar com o pobre coitado estirado na esquina, que nem se movia, mal falava, e não tinha a quem recorrer, ou uma mãe para o resgatar quando ele estivesse se sentindo mal. De qualquer forma, eu não o vi mais depois daquele dia, e nem sei que fim ele tomou.

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