Arquivo oculto

25 jul

Magdalena Carmen apareceu na minha vida pela primeira vez graças a uma camiseta, comprada mais pela beleza de sua estampa, do que pela mensagem que trazia em si

( significação que eu só viria a descobrir e me encantaria um ano depois): um espartilho de madeira e ferro que apertava com força dois seios fartos.                         

Como sou louca por grandes seios e por arte, saí às ruas levando à mostra minha nova aquisição e, claro, não tardou para que alguém mencionasse o nome da dona daquela pintura: “adorei a camiseta da Frida, onde comprou?”.

Magdalena Carmen Frida Kahlo y Calderón nasceu em 1907, na cidade de Coyoacán, no México.

É de conhecimento geral sua grande repercussão no mundo artístico, sendo a primeira artista surrealista da América Latina de reconhecimento mundial. Suas obras vibram e sugam a atração de qualquer um que passe por perto de uma delas (como foi o caso dos “meus” seios grandões).

Não sei até que ponto coincidência, passei a vasculhar uma série de pequenos fatos que rodeavam a vida da mulher de vastas sobrancelhas e, quando deparei por mim, Frida estava em meus cadernos, minhas várias listas de livros-para-ler-durante-as-férias, em fotos, em ensaios fotográficos, em roupas, em textos, em pequenos detalhes.

Até então, Magdalena era uma grande mulher que admirava, mas não suficientemente próxima para me apaixonar por ela. 

Há duas semanas, a editora Cosacnaify lançou o livro “Frida Kahlo – Suas Fotos

São 524 páginas, entre pequenos textos e sete capítulos que revelam a proximidade da artista com a fotografia e sua breve e intensa luta pela vida, bem como sua ação dentro da política e sua influência no campo das artes.

São dezenas de imagens, tiradas por amigos, grandes fotógrafos (dentre eles, Guillermo Kahlo, seu pai) e pela própria artista.

O acervo fotográfico, que inclui fotos de Frida quando criança, encontros entre amigos em casa, retratos da família (avós, irmãos, bichos de estimação) e de amores foi entregue pela artista a Diego Riviera, seu companheiro de muitos anos e cedidas por ele, juntamente com a Casa Azul (onde hoje é o Museu Frida Kahlo), com o pedido de que o arquivo só fosse aberto quinze anos após sua morte.

Feito assim,coube a Hilda Trujillo, atual diretora do Museu essa tarefa (um tanto quanto deliciosa, convenhamos!),  revelando novas pequenas sutilezas da nada sutil mexicana.

 Como em diversos outros relatos (o filme Frida e a biografia de Hayden Herrera, só para citar),o livro publicado pela Cosacnaify, que está sendo vendido na livraria Quixote por 120 reais trás a certeza de que Frida foi daquelas mulheres que passou e ficou como a fotografia, que por mais velha guardada no armário, mantém intacta a juventude  do Tempo que estampa (no caso de Frida, muito a frente do tempo em que existiu) e relembra à memória que falha, aquilo que não se pode escapar.                         

Frida permanece e seu brilhantismo se perpetua, mesclado a dores e amores incuráveis;

Em “Frida Kahlo – suas fotos, me apaixonei por uma mexicana, de seios fartos, extensas sobrancelhas e de idéias únicas e dores perversas, me encantei por sua beleza rara e por um olhar que até então não conseguia decifrar: “Sabia[só ela] que o campo de batalha do sofrimento se refletia em meus [seus] olhos. Desde então, comecei a olhar diretamente para a lente, sem piscar, sem sorrir, decidida a mostrar que seria uma lutadora até o final”. E foi!

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