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Tradição e tecnologia

13 nov

A companhia americana de lifestyles de luxo Polo Ralph Lauren está conquistando o público ao comemorar, de modo bastante inusitado,  seus “10 anos de inovação tecnológica”. A empresa, conhecida por conferir um ar despojado semi-formal a suas roupas, fragrâncias e artigos de cama, mesa e banho, escolheu suas tradicionais sedes em Londres e Nova York para apresentar um show de efeitos que deixa a plateia boquiaberta. A apresentação, dita em 4D, consiste em projeções hiperrealistas na fachada dos prédios históricos da Polo NY e Polo London enquanto alguns perfumes tradicionais da grife são borrifados ao ar. As imagens, em três dimensões (mas sem o uso de óculos especiais!), contam um pouco da história da companhia, mostram alguns produtos e, claro, exploram o poder da nova tecnologia que está sendo apresentada pela primeira vez ao grande público. Seguem os vídeos dos espetáculos em Londres e Nova York, respectivamente:

Mais informações no site oficial da Ralph Lauren.


Estereoscópio – Daft Punk + umas bandas aí

13 nov

O Estereoscópio de hoje vem bem facinho, já embutido num vídeo só. Pra você ver onde a dupla de música eletrônica mais famosa do mundo se inspirou:

Cointreau

13 nov

Um texto de autoria própria.

Cointreau

Fecho os meus olhos e não me lembro do seu rosto. Não consigo montá-lo. Sei como são as suas feições e como deveria reconhecê-las, mas os fragmentos não se encaixam, num mosaico incompleto. Minha mente não te decifra, não te projeta. Um caleidoscópio que só existe quando te vejo de verdade, quando te toco e beijo. Em todo o resto você é uma sombra, cores se misturando num tom sujo, uma pintura difusa, um nada gigantesco dentro de mim. Uma ilusão. Se durmo, sonho com um você forjado, delineado em linhas exatas, planas – meu inconsciente não faz jus ao seu encanto. Não vejo as olheiras brandas, os pêlos desordenados no seu rosto, um pingo circular e marrom logo ao lado da sua pupila, uma falha só sua, um você todo seu.

Estou doente e há muito tempo, desde que você se apropriou de mim. Ontem chorei noite adentro em uma das minhas cenas teatrais, mas a dor era real. Antiga, marcada dentro de mim. Um sentimento insípido, cúmplice . Fico miúda, me escondo nas crateras entre os azulejos, num abismo escuro como imagino que deva ser o fim. Sem alcance, que alcance eu poderia ter? Meu centro de gravidade me abandonou, não coexiste em mim, perco o equilíbrio e tropeço. Escalo o penhasco, as falésias de um universo minúsculo. Não sou mais minha. Quero ser, me libertar, te renegar por inteiro, mas ando num loop infinito. O mesmo labirinto, instantes repetidos. Não sei mais amar outra pessoa.

Sou uma refém. Esse fluxo inconstante de sentimento me agride, a minha paixão instável. Se primeiro o seu beijo me eleva, suaviza, depois ele me acorrenta, espanca, grito de agonia. Se pela manhã me alegro com o seu riso gostoso, pela tarde só vejo escárnio: à noite, seu dente cerrado vira mandíbula animalesca e me destraçalha. A minha escrita se alimenta desse rombo, mas eu deslizo, me perco, viro paranóia. Não amo mais, não existe mundo para mim. Temo infectá-lo com a minha doença. Talvez seja contagioso. Não arrisco.