Arquivo | dezembro, 2010

Top 10

31 dez

O ano de 2010 termina hoje e não há como fugir de certos clichês em posts como este. Foi um ano delicioso e também muito difícil para o EV!, que nasceu em Fevereiro sob condições um tanto precárias, mas, aos poucos, foi angariando um pouquinho mais de respeito entre os blogs sobre arte e cultura por aí. Tendo vestibulandos como a maioria integrante, muitas vezes foi extremamente difícil sustentar o site, e frequentemente falhamos em atualizá-lo tanto quanto gostaríamos. Contudo, o apoio de apreciadores e profissionais dessa temática como Rafael Reis, Múcio Luciano, Joapa e Daniel Werneck, bem como os diversos amigos que espalharam o blog por aí, comentaram e nos enviaram sugestões nos motivou a não abandonar o projeto. Agradecemos com toda a sinceridade possível o que vocês, amigos e leitores, fizeram por nós durante todo este ano. Que estejamos juntos e sejamos muito mais em 2011!

Quais terão sido, porém, os posts mais lidos de 2010 (e, portanto, também da história do EV!)? Aqui vai uma pequena retrospectiva dos artigos mais clicados do ano:

10.) Por entre linhas e formas de caos

A resenha de Certa Manhã acordei de sonhos intranqüilos, novo álbum do Otto, foi bastante elogiada e chegou ao nosso 10º lugar.

9.) A mórbida beleza da arte: Ashkan Honarvar

Lorena nos mostrou o artista iraniano Ashkan Honarvar, autor de peças que abordam uma perspectiva bastante interessante sobre o corpo humano.

8.) Pin-ups do século 21

Motivado pelo novo design do EV!, Leonardo escreveu sobre uma artista digital que desenha pin-ups muito interessantes.

7.) Atenção, artistas digitais!

Noticiamos aqui o interessante projeto Show Us Your Type, na Quina Galeria, e o Festival de Arte Digital.

6.) A psicodelia de Paul Neave

O cara tem um site interativo e, principalmente, muito criativo no qual qualquer um pode passar horas se divertindo. Foi o bastante para nosso 6º lugar.

5.) No Estranho Planeta dos Seres Audiovisuais

Delicioso programa da TV Cultura para quem é apaixonado por cinema e mídias audiovisuais. Informativo sem ser maçante, gostoso sem ser estúpido.

4.) Cores de Frida Kahlo

No dia em que a pintora mexicana completaria 103 anos, fizemos um especial ricamente ilustrado sobre a moça.

3.) DrawSpace – aprenda a desenhar online

O site de Brenda Hoddinott pode vir a ser uma mão na roda para quem quer se enveredar pelo mundo da ilustração.

2.) Maria Raquel entre quatro paredes

Na estreia do nosso quadro de entrevistas, Maria Raquel chegou para bater recordes de visitação logo no primeiro dia. Não é por menos: o trabalho da artista de rua é realmente ótimo.

1.) Lolita

A medalha de ouro vai para a resenha com que Luisa nos presentou sobre Lolita e suas adaptações ao cinema. Um dos posts mais comentados do blog!

Resta ainda mencionar nossos carros-chefe: as Rapidinhas, os Lirismos de Quinta e nossos joguinhos do Estereoscópio. Suprimi eles dessa lista, mas é importante dizer que também participaram como recordistas de leitura. Em especial os quadrinhos de Calvin e Haroldo e o poema de Rodrigo Ferreira (este sim, o post mais clicado) que a Marcela nos mostrou.

Só garotos

27 dez

Meu querido Rafael Reis enviou-me sua resenha do livro Só Garotos, autobiografia da roqueira Patti Smith. O texto, além de ser de altíssima qualidade, é bem convincente, afinal não é qualquer resenha que me faz querer ler um livro. Quem ficar curioso, pode ler um trecho do livro disponibilizado pela Folha de São Paulo Online clicando aqui.

Sobre Só Garotos, de Patti Smith

por Rafael Reis

Uma das maiores qualidades de Só Garotos, de Patti Smith, é que o livro oferece vários motivos para ser lido. Se pensado como o relato de uma época, ou de uma geração, ele possui valor histórico semelhante ao clássico On the Road, de Jack Kerouac. A comparação, aliás, não é fortuita e já foi apontada pela crítica. De fato, há alguns pontos interessantes que ligam a obra de Patti Smith à bíblia beatnik, mas são as diferenças que chamam mais atenção. Primeiramente, Só Garotos não é uma obra de grandes deslocamentos; não se trata mais de atravessar os Estados Unidos de leste a oeste, empreendendo uma viagem duplamente espacial (exterior e interior), mas de conquistar uma cidade – Nova York. Do Brooklin ao Hotel Chelsea, do Chelsea ao Max’s ou ao estúdio de Jimmy Hendrix, quase tudo acontece em espaços restritos, sem muito deslocamento. Os próprios beats, na obra, são figuras fantasmagóricas, uma espécie de presença ausente. O mutismo de William Burroughs ou a influência de Allen Ginsberg indicam que, se o movimento beat ainda sobrevivia, como no modo de se vestir da narradora ou no modo de agir de alguns amigos, era mais como um vestígio de um passado recente. Nesse sentido, Só Garotos, se aproximado a On the Road, pode ser lido como uma continuação – o nascimento de uma cena artística pós beat.

Narrativa de formação

Outro motivo que faz de Só Garotos uma obra singular é seu caráter formativo, no sentido do que a crítica literária convencionou chamar de “narrativa de formação”.  A cronologia da narrativa vai do nascimento de Patti Smith e de Robert Mapplelthorpe, em 1946, até a morte deste, em 1989, mas a maior parte vai de 67 – no verão em que acontece o encontro casual, mas definitivo – até 1975 – ano em que o sucesso no mundo das artes já era iminente. Nesse meio tempo, a passagem da adolescência para a vida adulta; a descoberta de si, do outro e da arte associada ao amadurecimento forçado; o amor e a entrega associados à miséria, ao desespero, às separações: dormir em praças, passar fome, prostituir-se, trabalhar em subempregos, fugir de hotéis pela escada de incêndio por falta de dinheiro… Essas são algumas situações vividas nesse período e mostram os sacrifícios que o mundo da arte, muitas vezes, impõe aos que querem se tornar artistas.

Uma história de amor, de devoção

Um dos aspectos mais belos da história de Patti Smith e Mapplethorpe consiste na capacidade da narradora de transformar uma relação afetiva e artística absolutamente profana e pouco convencional num amor quase sacro; sacro porque, a meu ver, sua relação com Robert Mapplethorpe só pode ser compreendida na esfera de uma devoção mútua, que ela normalmente define como “confiança”. Ao menos parece ser esse o sentido da mensagem que precede o prólogo, uma espécie de advertência para o leitor:

Muito já se falou sobre Robert, e outras coisas ainda serão ditas. Os rapazes imitarão seu jeito de andar. As garotas usarão vestidos brancos e chorarão por seus cabelos cacheados. Ele será condenado e adorado. Seus excessos serão malditos e romanceados. Por fim, descobrirão a verdade em seu trabalho, o corpo físico do artista. Isso não se afastará. Os homens não podem julgá-lo. Pois é a Deus que a arte canta, e afinal pertence a ele.

Esse caráter dual ligado à vida e à obra de Mapplethorpe pode ser facilmente confirmado numa rápida busca na internet. Por um lado, a Robert Mapplethorpe Foundation (www.mapplethorpe.org), responsável pela divulgação de sua obra, parece mais voltada para a sacralização da sua arte, exibindo prioritariamente trabalhos de alta qualidade estética e trabalhos associados a uma cena artística “de peso”, com retratos de Patti Smith, Andy Wahrol, dentre outros grandes. Por outro lado, no terreno mais livre da internet, descobrimos a faceta mais polêmica do artista, que escandalizou, e ainda escandaliza, com seus estudos fotográficos das perversões, sobretudo o sadomasoquismo homossexual.

Patti Smith, porém, resolve o problema das contradições por meio de um discurso radicalmente amoroso. Ela consegue sacralizar “o corpo físico do artista”, mostrando que é preciso chegar ao entendimento que “não existe o puro mal nem o puro bem, só a pureza” (p. 180). Podemos, então, falar que também existiria uma pureza sadomasoquista? Lembremos que o desconserto é inerente à arte. Além disso, se a arte canta a Deus, o que podem nossos ouvidos?

Uma grande obra literária

As razões apontadas, por si só, já valeriam a leitura de Só Garotos. No entanto, como relato de uma época, teria sobretudo valor documental; como narrativa de formação, interessaria mais àqueles que aspiram ao incerto mundo da arte; como discurso amoroso ou livro de memórias, interessaria aos que, de alguma maneira, participam do contexto ou com ele se identificam.

Mas Só Garotos é também uma bela obra literária. Escrito como fotogramas que a palavra coloca em movimento – a palavra poética, escolhida e medida com precisão, dizendo somente o necessário. Às vezes, tem-se a impressão que algo ficou por ser dito, que há algo na cena que foi ocultado ou que houve a suspensão momentânea de algo que será esclarecido posteriormente. Mas não seria esse o próprio mecanismo lacunar da memória? Linear cronologicamente e estruturalmente fragmentado, muitos fragmentos possuem uma beleza própria, revelando uma narrativa meticulosamente elaborada. Vejamos um trecho:

Aonde tudo aquilo levaria? O que seria de nós? Essas eram nossas perguntas juvenis, e as respostas juvenis a elas seriam reveladas.

Aquilo nos levou um para o outro. Nós nos tornamos nós mesmos.

Durante algum tempo, Robert me protegeu, depois foi dependente de mim, e depois possessivo. Sua transformação foi a rosa de Genet, e ele foi profundamente dilacerado por seu próprio florescimento. Eu também desejava sentir mais o mundo. Embora esse desejo não passasse de uma vontade de voltar àquele lugar onde nossa luz silenciosa se irradiava de luminárias pendentes com painéis espelhados. Havíamos nos aventurado como crianças de Maeterlinck atrás do pássaro azul e ficamos enredados nos espinhos retorcidos de nossas novas experiências.

Ao final, a angústia diante do fracasso da experiência literária:

Por que não consigo escrever algo que faça despertar os mortos? Essa busca é o que mais arde no fundo.

Esse questionamento já não é o de uma narradora, ou mesmo de uma escritora – é o questionamento de uma amante desesperada diante da inexorabilidade da morte. Que nós, leitores, nos detenhamos aqui com uma convicção: não, não é possível despertar os mortos por meio das palavras. Mas é possível despertar os vivos – e às vezes isso basta.

(Só Garotos, Patti Smith. Companhia das Letras, 2010. Tradução de Alexandre Barbosa de Souza.)


Pet Shop Dogs

26 dez

Muito papel, sucata e idéias criativas na cabeça foram os elementos necessários para a execução do videoclipe Bubblicious, do DJ Rex The Dog. Descubram o poder de um stop motion divertido aliado a boa música eletrônica!

Remixes do coelho espacial

21 dez

“Passei tanto tempo fazendo música, que isso é tudo o que faço de minha vida agora”

Não, não estamos falando de Donnie Darko. Este post é sobre Nick Bertke, mais conhecido na internet e no universo da música eletrônica como Pogo.

Pogo é um rapaz que gosta de música e de filmes. Pogo tem um talento musical absurdo e a destreza necessária para lidar com os complicados equipamentos de mixagem. Ainda ouviremos falar muito de Pogo.

A partir de, principalmente, filmes infantis e familiares (com destaque às animações da Disney e Disney Pixar), o rapaz vem produzindo uma série de vídeos muito interessantes. Ele mescla cenas minuciosamente escolhidas de cada película às canções que produz a partir das frases e sons originais das mesmas, jogadas numa melodia bastante delicada e particular. O trabalho do cara é realmente incrível e delicioso de ouvir. Comprovem (playlist Disney):

Além desse trabalho fantástico, ele também dá o ar de sua graça a vários outros filmes (de O Jardim Secreto a Exterminador do Futuro) e ainda desenvolve outros trabalhos autorais. Para conferir a magnitude da obra deste jovem, você pode visitar seu canal no youtube ou ainda seu site pessoal, onde você pode acompanhar a trajetória de Pogo e onde estão disponíveis para donwload todas essas músicas e mais um monte (pelo preço que você quiser, inclusive de graça).

Google – Muito além da pesquisa

17 dez

Um vídeo japonês, com um novo uso para as funcionalidades de pesquisa de imagens do Google que quer dominar o mundo

Passeata OK Go

16 dez

E o OK Go, que juntou uma galera pra escrever o nome da banda nas ruas de Los Angeles com ajuda de um GPS?

Acabou ficando assim:

Deus, você não existe!

15 dez

Mais uma que eu roubei do Ultralafa.