Arquivo | fevereiro, 2011

Das Possibilidades do Vidro

28 fev

Um vídeo promocional da Corning. Será que um dia chegaremos a esse ponto?

Homenagem a Moacyr Scliar

27 fev

Moacyr Scliar nasceu em Porto Alegre, em 1937. Graduado em medicina, especializou-se em saúde pública. No campo da literatura, escreveu mais de setenta livros e ganhou vários prêmios e atualmente ocupava a 31ª cadeira da Academia dos Imortais (ABL). Na madrugada de hoje, o autor, que já estava internado por causa de um AVC, acabou vindo a falecer aos 73 anos de idade (leia notícia completa). Que quiser conhecer um pouco mais sobre ele pode clicar aqui.

Os Projetos na Gaveta

04/05/2010

Todos temos, em nossas gavetas, uma pasta com fragmentos de papel em que garatujamos algo que poderia ser a fórmula de nossa felicidade

Tenho, numa gaveta, uma pasta de cartolina na qual escrevi Ideias. Seu conteúdo: folhas de papel, dos mais variados tamanhos e formatos, incluindo bloquinhos de anotações de hotel, convites para eventos e lançamentos de livros (um destes de minha autoria), folhetos de propaganda. Em todas essas folhas há algo rabiscado: as ideias. Ideias para contos, ideias para crônicas, ideias para livros até. Ideias em profusão, ideias que ao longo do tempo me iam ocorrendo e que eu, como tantos que escrevem, anotava para posteriormente desenvolvê-las. O que, na imensa maioria dos casos, nunca aconteceu. E isso por várias razões.Para começar, em muitos casos não consigo entender o que escrevi. Em parte isso resulta da famosa letra de médico, uma situação que, a propósito, não deixa de ser intrigante: de onde viria essa fama de clássica ilegibilidade? Da pressa com que os doutores, sempre lutando com a falta de tempo, escrevem? Ou seria uma curiosa manifestação de poder, tipo “decifra-me ou te devoro”, como dizia a esfinge na história de Édipo? Ou simples desleixo? Mistério, mas de qualquer maneira, uma questão à parte, mesmo porque, além desse componente, digamos, profissional, pesavam as circunstâncias em que as mensagens eram escritas: num carro sacolejante, por exemplo. Ou no meio da noite, os olhos fechando de sono.

Como se isso não bastasse, mesmo legíveis, as anotações revelam-se crípticas, misteriosas. Citando ao acaso: “A frase no sonho”, “Inventário das dores”, “Catastróficos e deslumbrados”, “Ator morre antecipando a morte”, “Se Deus se materializasse”, “História do cirurgião que inventa uma operação maravilhosa”, “Foi melhor assim”.

Vamos ficar só com estas duas últimas. “História do cirurgião que inventa uma operação maravilhosa”. Que operação seria essa? Que doença ela curava, que problema resolvia? E o que acontecia, então?

Perguntas intrigantes. Mas “Foi melhor assim” é, em matéria de enigma, ainda pior. “Foi melhor assim” – o quê? De que fala, essa frase? A quem se refere? Que história ela resume?

Todas estas anotações têm uma coisa em comum: são projetos que não decolaram. Por quê? Porque não tinham em si próprios a carga criativa suficiente para impô-los a seu próprio autor? Porque tornaram-se incompreensíveis?

Estas coisas envolvem um grau de mistério que não é pequeno. E aludem a esse aspecto característico da condição humana: todos temos sonhos não realizados, objetivos não atingidos. Todos temos, em nossas gavetas, uma pasta com fragmentos de papel em que garatujamos apressadamente algo que certamente poderia ser a fórmula de nossa própria felicidade. Ah, se ao menos lembrássemos o que ali escrevemos. Se ao menos entendêssemos nossa própria letra.

Isso Não É Pornografia, É Pura Beleza

26 fev

Que atire a primeira pedra quem não tem aquela foto guardada que seria capaz de acabar com toda uma reputação. Bem, o site This Is Not Porn reúne fotos de celebridades em momentos, muitas vezes, inimagináveis.

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Disorder And Early Sorrow

25 fev

I was in the habit of sleeping there in the
nearby abandoned graveyard,
two or three mornings a week,
whenever I experienced my worst morning hangovers
and
just didn’t feel like going right back to the
neighborhood bar where I spent my
afternoons and evenings.

it was cool and quiet
there in the tall wet grass in that graveyard;
the small insects didn’t crawl on
you as they did when you lay
in the dry itchy
summer grass.
sleep was more possible.

and always before sleeping
I’d look around the graveyard, at the tilting
headstones, their inscriptions obscured,
tilting at
very strange angles, having finally succumbed
to the law of gravity
(here were the truly forgotten dead
and I felt I wanted to join them.)
the old rusty wrought iron fence
that surrounded the
graveyard seemed more to sag than
tilt,
the quiet was utterly
marvelous,
and there was nobody about but the forgotten dead,
and I wondered about their bones
buried there,
bones having long ago escaped from the
rotting coffins.
it was all so curious,
so strange,
those long dead and forgotten bones,
those lives gone, totally
erased, their history now never to be
recorded.

I felt sad for thos lost lives
and felt
there was a perspective to
be gleaned about it all
but it was a vague one,
one only partially
understood.

I was usually awakened
with the noon sun
burning my upturned face
and I would rise,
not looking back at my faceless
companions,
and make my way
back to the bar.

then to sit there and look down
into my first draft
beer, wondering about things:
the forgotten dead,
a fly,
the bartender’s shirt,
voices emanating from those sitting
nearby,
the smell of urine from the
crapper,
the sound of passing automobiles,
somebody laughing,
my trembling hand lighting a first
cigarette.

nothing to do then but
get drunk
again.

Charles Bukowski

Lirismos de Quinta – 24/02/2010

24 fev

Nessa semana, os Lirismos trazem um pouco da poesia de Mário Faustino, que mesmo tendo apenas um livro publicado em vida (em função de sua morte prematura, aos 32 anos). Faustino trabalhou a temática de sua obra poética baseando-se na tríade: amor, morte e vida.

BALATETTA – Mário Faustino

Por não ter esperança de beijá-lo
Eu mesmo, ou de abraçá-lo,
Ou contar-lhe do amor que me corrói
O coração vassalo,
Vai tu, poema, ao meu
Amado, vai ao seu
Quarto dizer-lhe quanto, quanto dói
Amar sem ser amado,
Amar calado.

Beijai-o vós, felizes
Palavras que levíssimas envio
Rumo aos quentes países
De seu corpo dormente, rumo ao frio
Vale onde vaga a alma
Liberta que na calma
Da noite vai sonhando, indiferente
À fonte que, de ardente,
Gera em meu rosto um rio
Resplandecente.

No sonolento ramo
Pousai, palavras minhas, e cantai
Repetindo: eu te amo.
Ele, que dorme, e vai
De reino em reino cavalgando sua
Beleza sob a lua,
Encontrará na voz de vosso canto
Motivo de acalanto;
E dormirá mais longe ainda, enquanto
Eu, carregando só, por esta rua
Difícil, meu pesado
Coração recusado,
Verei, nesse seu sono renovado,
Razão de desencanto
E de mais pranto.

Ménage Cultural

24 fev

Um texto de Rafael Reis.

LCD Soundsystem is not playing at my house

Alexander, our older brother,
set out for a great adventure.

Arcade Fire

Foi em outubro de 2005 minha primeira viagem para um show. Arcade Fire, Strokes e Wilco tocariam no Tim Festival. Imperdível. Época de vacas magras, 4º período de faculdade, juntei umas economias e fui do jeito que deu: busão pro Rio de Janeiro, dormir de favor no chão da sala da casa de unsamigos de um amigo, comer apenas o necessário, voltar de carona com um recém conhecido, etc. Nada disso era problema, o importante era ver os shows, que foram fodas. Desde então, dificilmente passo um ano sem ver alguma apresentação legal de bandas que vêm para o Brasil. Felizmente, as vacas engordaram um pouco nesses 6 anos. Infelizmente, ainda é preciso gastar uma grana alta com viagens (fora o cansaço), pois BH continua à margem da cena artística contemporânea.

Minha mais recente aventura foi ver o show de despedida da banda norte-americana LCD Soundsystem, cujo líder, James Murphy, decidiu dar um tempo para tocar adiante alguns projetos paralelos. Diga-se de passagem, o LCD tocou em BH, salvo engano, em 2007. Não vi o show na ocasião, então só me restava pegar uma grana e ir pra SP, era a última chance…

Como tudo foi combinado em cima da hora, a viagem acabou ficando mais cara do que o normal. Saímos de BH na sexta, dia 18, às 11:40. Voltamos às 18:00 do dia seguinte. O show foi muito intenso e animado, a banda tocou suas melhores músicas durante aproximadamente 1 hora e 50 minutos. Para mim, faltou tocarem apenas “Watch the tapes”, do álbumSound of Silver. De pontos negativos, achei a produção muito desleixada: além do palco muito pequeno, o som estava bem ruim. Ouvia-se mal o vocal de James Murphy e a voz de Nancy Whang, tecladista com algumas participações vocais importantes, era quase inaudível. Uma pena.

Ainda não fiz todas as contas, mas juntando deslocamentos (avião + metrô + táxi + ônibus), hospedagem (Formule 1, tosco mas funcional), ingresso e despesas com bebida e alimentação, acho que foram uns R$ 1000. Caro? Muito, se pensarmos que foi apenas “uma saída”. Valeu a pena? Para mim, sim. Mas sempre fico na esperança de que um dia os produtores musicais de BH vão resolver entrar na briga pelosbons shows; que alguém construirá uma casa de shows decente; e que, principalmente, teremos público para isso aqui na roça. Quando isso acontecer, viajar será uma opção, não uma obrigação.

Amor em slow motion

23 fev

Aproveitando a onda de slow motion vivida por nosso blog (em vários sentidos, diga-se de passagem), apresento a vocês o curta-metragem Nuit Blanche. Dirigido por Arev Manoukian, o vídeo une uma estética antiga e surreal com efeitos visuais bem elaborados. Conheci-o por dica de meu professor da faculdade, Daniel Poeira.

Mas o mais interessante é saber como o curta foi feito. No making of, é mostrado o processo de montagem interna dos planos, unindo cenas gravadas com atores reais e imagens geradas diretamente em computador.

Quando descobrimos como as cenas são montadas, esse processo pode parecer bem atificial, mas ele é muito utilizado, atualmente, na televisão e no cinema, como pode ser visto em um making of do seriado Ugly Betty, versão americana de Yo soy Betty, la fea, programa colombiano. Os efeitos chegam a ser, na versão final, imperceptíveis.