Be yourself, respect your youth

11 fev

Primeira imagem da era Born This Way

Escrevo este post já rouco (às 9 horas da manhã) e sem conseguir parar de dançar e cantar (ou desativar o replay). Em 2009, no VMA, uma garota de apenas 23 anos colocava suas garras sangrentas para fora. Antes disso, uma infinidade de hits e estilos levaram-na ao estrelato em uma velocidade inimaginável. Nem Madonna, à qual ela foi sempre comparada, conseguiu tamanha façanha em tão pouco tempo. Sangrando durante 4 minutos em televisão aberta, ela enterrava a era The Fame, cheia de humor irônico, apelo sexual e hits descompromissados. Nascia a era The Fame Monster, uma verdadeira apologia à monstruosidade, em todas suas faces (ou olhos, garras e presas) e, principalmente, ao medo. Uma gogo dancer e performer de New York, vinda de família italiana e tradicional, de repente, tornava-se a mulher mais conhecida no mundo. Paparazzi, fãs “xiitas” e os meios de comunicação tentaram derrubá-la, inventando mentiras sobre seu sexo, amantes e intenções artísticas. Mas a ela só interessavam as mentiras que ela mesma queria contar. E as de seus fãs também. O Manifesto of Little Monsters selou o pacto entre ela e milhões de crianças, jovens e adultos, seus little monsters, mentirosos por natureza. Com a Monster Ball, ela trouxe todos seus monstros ao palco, derrubando um a um. O amante canibal, o horrível peixe abissal da infância, as drogas, o escuro, os fantasmas underground. Com o videoclipe de Alejandro, ela enterrava a era The Fame Monster, pois os monstros já não conseguiam mais assustá-la. Sua nudez frente aos soldados do vídeo mostrava: ela estava preparada para dar sua cara a tapa e seguir em frente. Ela já tinha fama, não precisava mais falar sobre isso. Cabelo curto, roupas mais simples e a divulgação de You & I não enganavam: a estrela havia sofrido uma mutação. Seria somente por estar apaixonada, novamente, por um cool Nebraska guy? E daí? Ela nunca escondeu a essência sentimental de toda sua arte.

Na mesma época do lançamento de Alejandro, ela revisitava sua cidade natal, reencontrava seus velhos amigos e família, refazia um romance. A época perfeita para anunciar, oficialmente, a vinda de um novo álbum. Já no VMA de 2o10, enquanto o mundo chocava-se com sua roupa de carne, os little monsters festejavam o anúncio do nome de seu novo trabalho: Born This Way. Nos meses seguintes, tudo o que tínhamos eram quatro versos: I’m beautiful in my way / ‘Cause God makes no mistakes / I’m on the right track, baby / I was Born This Way. Já bastava (por hora). Sabíamos que ela tornaria verdade as mentiras contadas todas as noites, durante seus gigantescos concertos: retribuiria toda a confiança depositada nela por seus fãs, os responsáveis por ela chegar aonde está. E o principal: lutaria por eles e por seus direitos. Dito e feito: hoje, dia 11 de Fevereiro de 2011, a cantora lança seu novo single: Born This Way.

Capa do single “Born This Way”

Crianças sofrendo dentro e fora de casa por gostarem dos brinquedos que seus pais e professores acham inapropriados. Adolescentes que são obrigados a “castrar” sua sexualidade, para não viverem uma guerra em casa e na escola. Em troca disso, vivenciam batalhas contínuas e dolorosas, dentro de si mesmos. Aqueles que não encontram apoio em amigos ou em psicólogos, morrem mentalmente e/ou fisicamente. Adultos que encontram, nos outros, repulsa e discriminação, por estarem amando alguém do mesmo sexo. E essas pessoas são as que sofrem por questões sexuais e religiosas. A música ainda traz à tona aquelas que são discriminadas por sua etnia, cor da pele, ascendência ou credo. E os versos de Born This Way falam de todas essas pessoas que vivem um inferno por terem nascido diferente do que os outros esperam delas. Seria absurdo afirmar que essa cantora é a primeira a trazer esse assunto à tona, mas será que os fatos de ela ser a mais conhecida no mundo e de sua música, a partir de agora, começar a tocar em todos os lugares, rádios e casas, não farão a diferença? Discursos até mais elaborados do que o dela espalham-se por todo o mundo (ainda bem), mas, com certeza, a partir de 2011, o de Lady Gaga será o mais ouvido. A capa do single resume muito bem toda a elaborada letra e a musicalidade super bem produzida de Born This Way: Gaga agora é aquela que une o monstro e a beleza, como o unicórnio, símbolo (clássico) de sua nova era. Nua e etérea, mas ao mesmo tempo poderosa e indestrutível, ela mostra que está pronta para a batalha e que será impossível derrubá-la. Sem recorrer ao ódio ou à intolerância, ela inicia uma guerra. Dê o play na primeira batalha.

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