Ménage Cultural

24 fev

Um texto de Rafael Reis.

LCD Soundsystem is not playing at my house

Alexander, our older brother,
set out for a great adventure.

Arcade Fire

Foi em outubro de 2005 minha primeira viagem para um show. Arcade Fire, Strokes e Wilco tocariam no Tim Festival. Imperdível. Época de vacas magras, 4º período de faculdade, juntei umas economias e fui do jeito que deu: busão pro Rio de Janeiro, dormir de favor no chão da sala da casa de unsamigos de um amigo, comer apenas o necessário, voltar de carona com um recém conhecido, etc. Nada disso era problema, o importante era ver os shows, que foram fodas. Desde então, dificilmente passo um ano sem ver alguma apresentação legal de bandas que vêm para o Brasil. Felizmente, as vacas engordaram um pouco nesses 6 anos. Infelizmente, ainda é preciso gastar uma grana alta com viagens (fora o cansaço), pois BH continua à margem da cena artística contemporânea.

Minha mais recente aventura foi ver o show de despedida da banda norte-americana LCD Soundsystem, cujo líder, James Murphy, decidiu dar um tempo para tocar adiante alguns projetos paralelos. Diga-se de passagem, o LCD tocou em BH, salvo engano, em 2007. Não vi o show na ocasião, então só me restava pegar uma grana e ir pra SP, era a última chance…

Como tudo foi combinado em cima da hora, a viagem acabou ficando mais cara do que o normal. Saímos de BH na sexta, dia 18, às 11:40. Voltamos às 18:00 do dia seguinte. O show foi muito intenso e animado, a banda tocou suas melhores músicas durante aproximadamente 1 hora e 50 minutos. Para mim, faltou tocarem apenas “Watch the tapes”, do álbumSound of Silver. De pontos negativos, achei a produção muito desleixada: além do palco muito pequeno, o som estava bem ruim. Ouvia-se mal o vocal de James Murphy e a voz de Nancy Whang, tecladista com algumas participações vocais importantes, era quase inaudível. Uma pena.

Ainda não fiz todas as contas, mas juntando deslocamentos (avião + metrô + táxi + ônibus), hospedagem (Formule 1, tosco mas funcional), ingresso e despesas com bebida e alimentação, acho que foram uns R$ 1000. Caro? Muito, se pensarmos que foi apenas “uma saída”. Valeu a pena? Para mim, sim. Mas sempre fico na esperança de que um dia os produtores musicais de BH vão resolver entrar na briga pelosbons shows; que alguém construirá uma casa de shows decente; e que, principalmente, teremos público para isso aqui na roça. Quando isso acontecer, viajar será uma opção, não uma obrigação.

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2 Respostas to “Ménage Cultural”

  1. al.maia 25/02/2011 às 10:24 #

    Até relativamente pouco tempo atrás, o Recife também não era de receber muita gente tarimbada de fora e em voga, daí vinham turnês caça-níqueis e afins…
    Mas está mudando (só neste ano – no mesmo dia – já rolou Amy Winehouse, Janelle Monáe e Mayer Hawthorne), e espero que aí em BH a coisa não demore a mudar, até porque se bem me lembro os índices são melhores em termos de segurança, o que sem dúvida deve servir de atrativo pra produtores daí acertarem apresentações muito boas.

    • Marcela Gontijo 27/02/2011 às 0:03 #

      Pois é Alexandre, as coisas parecem estar caminhando lentamente. Mas a maior dificuldade em BH é em relação ao público. Além de ser mais restrito, a população belo-horizontina como um todo tem uma mentalidade mais “fechada”, ou seja, artistas que se envolvem em “escândalos” (por exemplo Amy Winehouse) e músicas do cenário alternativo internacional têm pouca aceitação do público/população.

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