Hiroshima, mon amour

17 maio

“Hiroshima, meu amor”, dirigido por Alan Resnais em 1959, não é somente um filme sobre o encontro efêmero de uma atriz francesa e um arquiteto japonês, na cidade de Hiroshima, e que a partir desse encontro amoroso eles compartilham um sentimento de cumplicidade e confissão, levando-a se relembrar dos ressentimentos  e dores do passado,  se relembrar da guerra e das suas fatalidades mais pessoais –  tudo isso num tom frágil e difícil, de difícil comunicação.

Emmanuelle Riva, como Elle, e Eiji Okada, como Lui.

A obra é, essencialmente, um trabalho sobre a memória e como ela é fragmentada – principalmente, sobre o esquecimento; sobre acontecimentos marcantes que gradualmente perdem significação e que, em determinados momentos, evocados durante uma conversa ou confidência, passam a existir paralelamente aos acontecimentos que decorrem na trama; sobre a ligação intrínseca que existe entre um evento doloroso e o local no qual ele aconteceu, e como um certo espaço é capaz de se tornar o símbolo de um sofrimento passado e até mesmo constituir a identidade da personagem.

Taí em seguida o meu trecho favorito do filme (e uma tradução em inglês que eu achei, para quem, como eu, ainda não é fluente em francês):

“Je te rencontre, je me souviens de toi. Qui es-tu? Tu me tues, tu me fais du bien. Comment me serais-je doutée que cette ville était faite à la taille de l’amour? Comment me serais-je doutée que tu étais fait à la taille de mon corps même?… Tu me plais. Quel évènement! Tu me plais. Quelle lenteur tout à coup…quelle douceur… tu ne peux pas savoir. Tu me tues, tu me fais du bien. Tu me tues, tu me fais du bien. J’ai le temps, je t’en prie. Dévore-moi, déforme-moi jusqu’à la laideur. Pourquoi pas toi? Pourquoi pas toi dans cette ville et dans cette nuit pareille aux autres au point de s’y méprendre? Je t’en prie…”

”How could I know this town was tailor-made for love? How could I know you fit my body as a glove? I like you. How unlikely. I like you. How slow all of a sudden. How sweet. You cannot know. You’re destroying me. You’re good for me. You’re destroying me. You’re good for me. I have time. Please devour me. Deform me to the point of ugliness. Why not you in this city and in this night? So like other cities and other nights you can hardly tell the difference? I beg of you.”

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