Lirismos de Quinta – 27/10/2011

27 out

Esse poema caiu em uma questão do ENEM esse ano e quando o li, a primeira coisa que pensei foi em compartilhá-lo aqui.

Guardar – Antônio Cícero

Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.

Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.
Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.
Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela, isto é, estar por ela ou ser por ela.
Por issomelhor se guarda o voo de um pássaro
Do que se guarda um pássaro sem voos.
Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica, por isso se declara e declama um poema:
Para guardá-lo:
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarda um poema:
Por isso o lance do poema:
Para guardar-se o que se quer guardar.

Adendo: Anteriormente havíamos dito que o poema é de Gilka Machado, como consta a autoria na prova do ENEM, porém o leitor Adriano Nunes nos alertou e corrigiu. Obrigada, Adriano!

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Uma resposta to “Lirismos de Quinta – 27/10/2011”

  1. Adriano Nunes 28/10/2011 às 7:37 #

    Esse poema nunca foi de Gilka! A prova do ENEM errou feio! Esse poema pertence ao grande poeta e filósofo Antonio Cicero e está no livro Guardar, vencedor do Prêmio Nestlè de Literatura!

    Adriano Nunes

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