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Eu matei minha mãe

4 out

                    Espaço Usiminas Belas Artes 

             Sala 1 (15:20 | 17:20 | 19:20 | 21:20)

         A sessão de 15:20 está a  R$4,00 (preço único)

Enquanto morreu o Mundo

3 out

“Os moçambicanos escolheram o esquecimento. Quem hoje viaja pelo país não sente sinal nenhum dessa guerra. Esse esquecimento é uma sabedoria, uma percepção de que os demônios do passado ainda não foram enterrados. Mas é um falso esquecimento, como quase sempre sucede com os lapsos de memória” M.C.

Saiu mais um livro do Mia Couto (pra quem não sabe aquele escritor moçambicano que sempre vem ao FLIP, lá em Paraty).

Na realidade, eu o comprei há 3 semanas e prometi que voltaria a livraria que sempre compro meus livrinhos pra contar ao vendedor se tinha gostado ou não.

Admito, as primeiras 30 páginas foram arrastadas, não sei se por auto-sabotagem ou porque a leitura estava lenta mesmo. A partir da trigésima e alguma coisa página eu me surpreendi lendo e respirando a nova obra do Mia no ônibus, no cursinho de matemática e até na manicure (o que é bem difícil de fazer, aliás). E, antes mesmo de terminar, tinha a certeza a absoluta que adoraria o livro até o fim, fui lá ao vendedor e dei um grito de trás da porta: não deixa de ler!

Bom, eu terminei a história de Silvestre Vitalício e seus dois filhos, Mwanito e Ntunzi ontem, e o fim com jeito de fim de um pedaço meu bateu tão forte, que nem levantei da cama. Fiquei lá, cobertinha até o meu nariz olhando pro teto amarelo. A África é amarela, eu pensei. O Amarelo Manga do Cláudio Assis, mas também esse amarelo bege, de terra, de mato seco, o amarelo savana, o amarelo envelhecido de criança sem lembrança.

Antes de nascer o Mundo acontece em um canto de Moçambique, apelidado por um dos personagens de Jesusalém (é, de fato, canto onde Jesus se esqueceu de passar, ficou com preguiça, medo ou sei lá).

Silvestre Vitalício é um pai, desacreditado na vida, que deseja privar seus dois filhos da realidade de um país onde a guerra assola e os homens “perderam o sentido de humanidade”, decidindo abandonar a cidade e se isolar de qualquer tipo de civilização, ir para uma região só, inalcançável aos próprios mortos.

A história é uma viagem a essa loucura de auto-esquecimento proposta pelo Pai, a auto-desumanização, onde o culto, o canto, a memória não pode entrar.

Escrito sob forma de realismo fantástico, Mia Couto mistura drama e suspense, fala da dor, da guerra, da memória e da morte, prendendo o leitor, da trigésima página ao fim e, mais uma vez, permite um maior contato com essa África que nós desconhecemos.

Antes de nascer o Mundo foi lançado aqui pela Cia das Letras e custa 44 reais, quem quiser eu empresto-só tem jurar que vai me devolver.

O Otto vem aqui!!

29 ago

Não preciso comentar mais:

O Otto vem aí pro lançamento do Cd! (boquiabertos todos!)

ô gente!

9 ago

 

Eu descobri só hoje que estava sendo feliz e egoísta, afinal, despreocupei-me em relembrar aos esquecidos do acontecimento do mês!

Como a vida é breve, mas boa pra todo mundo, dá ainda MUITO tempo de conferir o FIT2010, que bomba em qualidade!

Depois do nosso amigo nada simpático Márcio Lacerda quase detonar o festival de teatro que há 10 anos movimenta o cenário cultural em Belo Horizonte, os artistas arrasaram (por coincidência ou não) com as apresentações desse ano. Há peças que agradem a todos, incluindo danças e espetáculos que mesclam acrobacias e interpretação (esse ano, por sinal, o circo vem destacando-se).

Atenção especial para o grupo Companhia Suspensa, com a peça De Peixes e pássaros, o grupo francês Delit de facade com o espetáculo de rua Menus Larcins e o grupo argentino Puja, com o belíssimo e emocionante espetáculo k@osmos!

Discussões, questões, e fofocas do FIT, só pra depois, que agora eu vou correndo pro espaço centoequatro (o ponto de encontro do FIT) me divertir!

Beijos!

Arquivo oculto

25 jul

Magdalena Carmen apareceu na minha vida pela primeira vez graças a uma camiseta, comprada mais pela beleza de sua estampa, do que pela mensagem que trazia em si

( significação que eu só viria a descobrir e me encantaria um ano depois): um espartilho de madeira e ferro que apertava com força dois seios fartos.                         

Como sou louca por grandes seios e por arte, saí às ruas levando à mostra minha nova aquisição e, claro, não tardou para que alguém mencionasse o nome da dona daquela pintura: “adorei a camiseta da Frida, onde comprou?”.

Magdalena Carmen Frida Kahlo y Calderón nasceu em 1907, na cidade de Coyoacán, no México.

É de conhecimento geral sua grande repercussão no mundo artístico, sendo a primeira artista surrealista da América Latina de reconhecimento mundial. Suas obras vibram e sugam a atração de qualquer um que passe por perto de uma delas (como foi o caso dos “meus” seios grandões).

Não sei até que ponto coincidência, passei a vasculhar uma série de pequenos fatos que rodeavam a vida da mulher de vastas sobrancelhas e, quando deparei por mim, Frida estava em meus cadernos, minhas várias listas de livros-para-ler-durante-as-férias, em fotos, em ensaios fotográficos, em roupas, em textos, em pequenos detalhes.

Até então, Magdalena era uma grande mulher que admirava, mas não suficientemente próxima para me apaixonar por ela. 

Há duas semanas, a editora Cosacnaify lançou o livro “Frida Kahlo – Suas Fotos

São 524 páginas, entre pequenos textos e sete capítulos que revelam a proximidade da artista com a fotografia e sua breve e intensa luta pela vida, bem como sua ação dentro da política e sua influência no campo das artes.

São dezenas de imagens, tiradas por amigos, grandes fotógrafos (dentre eles, Guillermo Kahlo, seu pai) e pela própria artista.

O acervo fotográfico, que inclui fotos de Frida quando criança, encontros entre amigos em casa, retratos da família (avós, irmãos, bichos de estimação) e de amores foi entregue pela artista a Diego Riviera, seu companheiro de muitos anos e cedidas por ele, juntamente com a Casa Azul (onde hoje é o Museu Frida Kahlo), com o pedido de que o arquivo só fosse aberto quinze anos após sua morte.

Feito assim,coube a Hilda Trujillo, atual diretora do Museu essa tarefa (um tanto quanto deliciosa, convenhamos!),  revelando novas pequenas sutilezas da nada sutil mexicana.

 Como em diversos outros relatos (o filme Frida e a biografia de Hayden Herrera, só para citar),o livro publicado pela Cosacnaify, que está sendo vendido na livraria Quixote por 120 reais trás a certeza de que Frida foi daquelas mulheres que passou e ficou como a fotografia, que por mais velha guardada no armário, mantém intacta a juventude  do Tempo que estampa (no caso de Frida, muito a frente do tempo em que existiu) e relembra à memória que falha, aquilo que não se pode escapar.                         

Frida permanece e seu brilhantismo se perpetua, mesclado a dores e amores incuráveis;

Em “Frida Kahlo – suas fotos, me apaixonei por uma mexicana, de seios fartos, extensas sobrancelhas e de idéias únicas e dores perversas, me encantei por sua beleza rara e por um olhar que até então não conseguia decifrar: “Sabia[só ela] que o campo de batalha do sofrimento se refletia em meus [seus] olhos. Desde então, comecei a olhar diretamente para a lente, sem piscar, sem sorrir, decidida a mostrar que seria uma lutadora até o final”. E foi!

La Solitudine Dei Numeri Primi

16 jul

Paolo Giordano nasceu em 1982 em Turin, Itália, e é formado em física.  Se um alguém curioso vasculhar mais informações sobre esse cara, na certa vai encontrar raras adicionais.

Simples, ou não, Paolo foi o merecido vencedor do prêmio literário italiano Strega 2008 com o romance “A solidão dos números primos” e sua Obra de estréia surpreende, choca, invade o leitor.

O enredo se passa em uma cidade italiana, entre os anos de 1983 e 2007, em torno da vida de Mattia, um garoto com percepções matemáticas enormes, que em um incidente perde sua irmã gêmea Michela, e de Alice, uma menina que aos 10 anos sofre um acidente que mudaria seu corpo pro resto de sua vida.

Antes que se indague o título, solidão é um dos pontos alvo do romance e números primos (para os que estão pouco freqüentes às aulas de matemática) são aqueles que não se dividem por nenhum outro número, apenas por eles mesmos (só depois de ler a obra que me passou essa ideia do quão só eles estão!).

E a história parte daí: a solidão de ser um único, no meio de uma massa homogeneizada, o isolamento psicológico, a timidez, o medo, as recordações, os traumas.

O livro difere, porque não banaliza a necessidade à popularidade na adolescência, ou às dificuldades da “não-perfeição” estética que hoje pesa cada vez mais na idade jovem – já perceberam que até mesmo a qualidade de estranho perece em padrões milimetricamente calculados?- e, mesmo assim, aborda todas essas questões. É mais complexo do que isso, mas é isso também.

Paolo consegue com sua ainda jovem escrita (e não por isso desqualificada) permitir aos leitores a penetração nos personagens, sentir a dor de cada um, cortar-se por cada um deles. E não foge da física que visivelmente está intrínseca à vida do autor: os fatos são narrados quase que matematicamente, o que me espantou ser uma forma de mergulhar no cenário, sem padecer no excesso de concretude que até então os algarismos simulavam se restringir.

A solidão dos números primos fala ainda sobre os desencontros. Os imensos e vários deles, que acontecem diariamente, e que fogem ao alcance das mãos, mas que se fazem sentir sempre. Fala também do olhar: seja pelos números, pela dor, ou pela solidão em si.

Para quem não conseguiu ainda acreditar na potencialidade da obra, 1,3 milhões de livros foram vendidos somente na Itália e as traduções já somam mais de vinte diferentes línguas.

As 288 páginas publicadas pela editora Rocco escorrem na velocidade de areia sobre as mãos, e o preço varia entre R$ 30,00, na Livraria Cultura e R$ 40,00 na Usina de Letras, no cinema Usina Belas Artes.

Canção do Continente?

12 jun

Em maio de 1956, na intenção de reunificar a Europa pós 2ª Guerra Mundial, destruída econômica e culturalmente, surgiu o Eurovision, um festival anual de canções musicais  inicialmente com a presença de apenas sete países, a França, a Alemanha Ocidental, a Itália, a Holanda, o Luxemburgo, a Bélgica e a Suíça. Até 1990, em meio a Guerra fria, o festival não tinha a dimensão que hoje comporta.São, atualmente, mais de 50 países participantes e a regra é simples: cada país  escolhe uma música e até seis integrantes para representar a nação apresentando-a. O megaevento foi o responsável por despontar, por exemplo, a banda sueca Abba, apresentando Waterloo.

Com uma proposta interessante, o Eurovision tem de tudo pra ser um evento que abre portas na inserção da música europeia no campo músical, mas não é o que acontece.O fato de o festival apresentar várias músicas em Inglês, mesmo em países que não o tem como língua oficial, e a inscrição de cantores não europeus, como o caso da canadense Celinne Dion, representando a Suíça em um dos festivais, descaracteriza  a originalidade do projeto, que acaba se tornando um uma proposta globalizada, no sentido comercial da palavra,porque não,comum, homogênea.

 O destaque esse ano foi para a vencedora do festival, a Alemã Lena Meyer. A grande repercursão que a menina de 19 anos tem gerado é também, em parte, por sua simplicidade: ela não tem traços ou vestes exuberantes, não destaca pelos barracos ou excêntricas atitudes dos cantores pop’s atuais, como o hit Lady Gaga. Além do mais, sua voz soa gostoso aos ouvidos, surpreende inclusive.

Assistida por mais de um milhão de pessoas,o sucesso Lena ultrapassou e muito Hannover, sua cidade natal, com a música Satellite, que vale  a pena conferir, com a atenção a apenas um detalhe: a canção foi comprada de um estúdio americano, o Redzone, especializado em lançar hits.

Bonitinha e de uma voz promissora, o Eurovision desponta mais um possível( grande) talento, basta saber se Lena será um novo nome da cultura européia, ou mais um manequim da Timesquare.

A música segue abaixo, para ouvir, repetir e questionar, ou simplesmente gostar e cantarolar por aí.