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O silêncio está presente

27 fev

Artista performática revive trabalhos e paixões antigas

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Na década de 70, uma das pioneiras da arte-performance, a sérvia Marina Abramovic, viveu uma intensa e poderosa história de amor com um artista chamado Ulay. Os 12 anos que passaram juntos renderam diversas obras, inclusive uma viagem de 5 anos num furgão realizando performances diversas.

Em 1988, porém, o casal com um quê de Frida Kahlo e Diego Rivera deixou de sentir que a relação lhes acrescentava e, portanto, resolveram se separar. Para tal, fizeram uma viagem até a China a fim de percorrer A Grande Muralha. Mas em sentidos opostos. Cada um se posicionou em um dos extremos do quilométrico monumento e iniciou sua jornada em direção ao outro. Foram meses de caminhada se aproximando cada dia mais até se encontrarem no meio, onde deram um último abraço. Depois disso, seguiram, literalmente, seus caminhos opostos, sem jamais voltar a se ver, se falar ou mesmo se corresponder.

Em 2010, o Museu de Arte Moderna de Nova York, o MoMa, fez uma grande retrospectiva do trabalho de Abramovic. Foram exibidas fotos, vídeos e outros materiais das performances mais marcantes da artista, algumas delas frutos da parceria com Ulay. A própria Marina Abramovic fez parte desta exposição, realizando uma performance de nome The Artist is Present, em que ela dividia um minuto de silêncio com quaisquer estranhos que se dispusessem a sentar-se com ela. O espaço era uma grande sala vazia, exceto por uma mesa e duas cadeiras, em umas das quais Marina se sentava de olhos fechados esperando que um visitante se sentasse com ela para, só então, abrir os olhos e desfrutar da companhia um do outro. O trabalho produziu emoções intensas naqueles que experimentaram o olhar da artista, algumas delas registradas nas expressões fotografadas.

Marina AbramovicO que Marina não esperava era que 23 anos depois do último contato, Ulay visitaria sua exposição e se submeteria à performance de The Artist is Present. A surpresa acabou reascendendo, espontaneamente, a frutífera parceria para produzir um dos minutos em vídeo mais intensos de que consigo me lembrar.

 

Mais informações sobre esse encontro e todo o processo de preparação da artista para a retrospectiva de seu trabalho podem ser conferidas no documentário Marina Abramovic: The Artist is Present, de 2012.

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Mil uns segundos

11 jan

Aplicativo de smartphone possibilita a captura de um segundo da sua vida por dia

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Começou com fotos diárias: houve aquela garota que tirou, a cada dia, uma foto do próprio rosto. Muita gente a seguiu e vídeos semelhantes surgiram pela internet. Foi aí que vieram as grávidas. Hordas delas invadiram a internet com vídeos em time-lapse registrando o crescimento de suas barrigas.

A ideia foi caminhando, e Madeline, uma garota de Los Angeles, resolveu deixar as coisas menos estáticas. Ela gravou cerca de um segundo de cada um de seus dias do ano de 2011 e compilou todos estes segundos em um vídeo de pouco mais de 7 minutos, que oferece um panorama bastante interessante de como o ano dela se desenvolveu:

Em projeto semelhante à iniciativa de Madeline, Cesar Kuriyama foi um pouco mais radical. Ao completar 30 anos, o novaiorquino usou suas economias parar tirar um ano inteiro de folga do trabalho. Viajar, desenvolver projetos pessoais, passar o tempo com a família… Cesar procurou, durante esse ano especial, fazer tudo o que nunca tinha tempo de fazer, e aproveitou para registrar também um segundo de cada dia. Confira:

Cesar, porém, é um empreendedor e resolveu não só levar o projeto consigo gravando um segundo de vídeo para o resto de sua vida, como também ajudar outros a fazerem o mesmo. “Este projeto tem tido um impacto tão profundamente positivo em minha vida, que eu resolvi desenvolver um aplicativo para celular“, relata.

O projeto saiu recentemente do Kickstarter tendo angariado mais do que o dobro dos fundos necessários. Já em fases finais da produção, o aplicativo será disponibilizado para iOS pelo preço de U$1,00 e, reza a lenda, será seguido por um versão para Android. Ainda mais interessante é o fato de que você já pode começar a gravar seus vídeos antes mesmo de o aplicativo ser lançado, graças à possibilidade de acesssar os vídeos da galeria de seu celular para incluir em seu calendário. Eu mesmo comecei minhas gravações com os fogos do primeiro segundo de 2013, e estou achando todo o processo muito divertido. Imagine encerrar um ano e poder se lembrar de cada um dos 365 dias dele. Imagine gravar, como Cesar, um pedacinho de todos os seus dias para o resto de sua vida (cada década equivale a, basicamente, uma hora de vídeo). Além de genial, é emocionante.

Para pendurar na parede da sua borracharia

2 jun

Chegamos em Junho e as férias de Julho, no entanto, parecem cada vez mais distantes. O leitor que, como nós, está contando os dias para os recessos de inverno, provavelmente o faz num daqueles calendários da companhia de gás. Uma atividade tão prazerosa como essa de contar os dias como um prisioneiro medieval merece, porém, ser feita da melhor forma possível.

Por essa e outras razões, resolvi trazer para o EV! algumas das fotos do calendário mais famoso do mundo, o da Pirelli, que, agora em sua 38ª edição, aborda a temática mitológica. As deliciosas imagens do calendário Mithology são assinadas pelo gênio da moda Karl Langerfeld e trazem grandes modelos como Isabeli Fonatana, Daria Werbowy e Baptiste Giabiconi usando pouca ou nenhuma roupa. O destaque, porém, vai para a atriz Julianne Moore, que encarna a deusa Hera pelas páginas do calendário e estampa sua capa.

Essa belíssima e delicada celebração à beleza grega vem se contrapor à edição do ano passado, em que o despudorado (e não coloco esse adjetivo aqui como ofensa) fotógrafo Terry Richardson clicou suas belas modelos com animais e frutas pelas paisagens da Bahia.

Como um artista

29 maio

Uma tira pra gente reler quando vierem aqueles pensamentos bobos sobre nós mesmos e nossas capacidades:

Tempos Modernos

22 maio

Uma antiga e tradicional Blockbuster de uma cidade de Michigan, EUA, resolveu oferecer a seus visitantes uma extraordinária oportunidade de vivenciar o passado. O museu em questão reconstitui uma época negra da história humana em que as pessoas estavam habituadas a trocar dinheiro pelos direitos de uso de um filme (em DVD ou VHS) por um curto período de tempo, antes de retorná-lo ao que chamavam de “locadora”. Com a participação de atores que interpretam autênticos funcionários e clientes dessas antigas lojas, o centro museológico já é um sucesso.

Ironia: uma arma inteligente e eficiente.

(via)

Remixes de Tarantino

19 maio

Como bom funcionário de locadora que foi, Quentin Tarantino já assistiu 98% dos filmes já feitos no Universo. Assim, o diretor conseguiu uma biblioteca de referências formidavelmente vasta, na qual busca elementos inspiradores para os próprios filmes. Dando preferência aos fimes B e, dentro destes, aos filmes de pancadaria Kung Fu, Quentin não pôde deixar de exteriorizar suas paixões sob a forma de Kill Bill: Vol. 1 (2003) e sua sequência (2004). Deixo abaixo um vídeo interessante sobre a forma como Tarantino incorpora suas referências à saga da noiva sangrenta.

Se poderíamos descrever como orgânicas as apropriações do diretor, que diriam os personagens de Selton Mello e Seu Jorge no delicioso curta O Código Tarantino (Tarantino’s Mind, 2006)?

Chicago: uma cidade de contrastes

6 abr

Poucas pessoas sabem, mas o monstro do cinema Stanley Kubrick (2001 Uma Odisseia no Espaço, Laranja Mecânica, O Iluminado) era um fotojornalista de sucesso. No verão de 1949 a revista Look (para a qual entrou ainda adolescente) lhe enviou a Chicago para fotografar a cidade sob a temática Chicago City of Contrasts. O resultado:

Existiu alguma coisa que esse cara não fizesse eximiamente bem? Mais fotos aqui.