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Lirismos de Quinta – 01/08/2013

1 ago

Sem título, Paulo Leminski

Eu tão isósceles
Você ângulo
Hipóteses
Sobre o meu tesão

Teses sínteses
Antíteses
Vê bem onde pises
Pode ser meu coração

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Lirismos de Quinta – 18/07/2013

18 jul

Fábula de um Arquiteto, João Cabral de Melo Neto

A arquitetura como construir portas,
de abrir; ou como construir o aberto;
construir, não como ilhar e prender,
nem construir como fechar secretos;
construir portas abertas, em portas;
casas exclusivamente portas e tecto.
O arquiteto: o que abre para o homem
(tudo se sanearia desde casas abertas)
portas por-onde, jamais portas-contra;
por onde, livres: ar luz razão certa.

Até que, tantos livres o amedrontando,
renegou dar a viver no claro e aberto.
Onde vãos de abrir, ele foi amurando
opacos de fechar; onde vidro, concreto;
até fechar o homem: na capela útero,
com confortos de matriz, outra vez feto.

Lirismos de Quinta – 11/07/2013

11 jul

leminski

Razão de ser, Paulo Leminski

Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso,
preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece,
E as estrelas lá no céu
Lembram letras no papel,
Quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?

Lirismos de Quinta – 04/07/2013

4 jul

O morto, Mário Quintana

Eu estava dormindo e me acordaram
E me encontrei, assim, num mundo estranho e louco…
E quando eu começava a compreendê-lo
Um pouco,
Já eram horas de dormir de novo!

Lirismos de Quinta – 27/06/2013

27 jun

Como falamos aqui, o Jornal Pausa voltou e nos Lirismos de Quinta dessa semana trazemos um dos poemas presentes na última edição do Pausa (que você pode ler na íntegra aqui), de Sarah Maciel.

Pneumotórax – Sarah Maciel

Redefini uma patologia poética
pra descrever a dor que agora
esmaga os pulmões e
não me deixa
sequer suspirar:

o pneumotórax da angústia.

Trouxeram álcool, dreno e bisturi
pro meu quinto espaço intercostal.

O ar cheirava
a passado exumado.

Lirismos de Quinta – 11/04/2013

11 abr

Os Lirismos dessa semana vêm acompanhados de uma linda animação inspirada no poema O Pássaro Eu, do chileno Pablo Neruda. A animação foi feita pelo estúdio carioca de animação e design 18bis. De acordo com o estúdio, “a inspiração na técnica strata stencil ajuda a conceituar a repetição de camadas como o passado de nossos movimentos e ações. As molduras como jaula e o passado como fardo servem de pano de fundo para a história de uma bailarina em sua jornada rumo à liberdade. Através de variada experimentação artística, recria-se a tormenta que conecta pássaro e dançarina.” Abaixo você confere o vídeo e o poema:

O Pássaro Eu, Pablo Neruda

Chamo-me pássaro Pablo,
ave de uma pena só,
voador na escuridão clara
e claridade confusa,
minhas asas não são vistas,
os ouvidos me retumbam
quando passo entre as árvores
ou por debaixo das tumbas
qual funesto guarda-chuva
ou como espada desnuda,
estirado como um arco
ou redondo como uma uva,
voo e voo sem saber,
ferido na noite escura,
aqueles que vão me esperar,
os que não querem meu canto,
os que me querem ver morto,
os que não sabem que chego
e não virão para vencer-me,
a sangrar-me, a retorcer-me
ou beijar minha roupa rota
pelo sibilante vento.

Por isso eu volto e vou,
voo mas não voo, mas canto:
pássaro furioso sou
da tempestade tranquila.

Maldita pedra, Carlos!

14 mar

Feliz Dia Nacional da Poesia.