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Unhate

16 nov

E quando eu achava que as campanhas da Benetton nunca mais iriam me surpreender, eis que:

O grupo Benetton e seu fotógrafo Oliviero Toscani, que é conhecido por transformar o sonho da publicidade na mais dura realidade,  foram responsáveis por célebres e provocadoras campanhas publicitárias nos anos 90  que discutem tabus religiosos, preconceitos raciais e provocaram e provocam moralistas em todo o mundo.  Pra quem nunca viu e não sabe o que está perdendo:

 Nesta quarta feira a Benetton lançou sua nova campanha: UNHATE, que coloca em questão o combate à cultura do ódio sob todas as formas. Cartazes pelas cidades de Roma e Milão trazem, além do Papa e Imã Cairo, outros políticos se beijando, todos com histórico de desavenças entre si, como Barack Obama e Hu Jintao, presidente da China. Obama ainda beija o venezuelano Hugo Chávez, outro desafeto. Palestinos e judeus fazem as pazes com beijos entre o palestino Mahmud Abbas e o israelita Benjamin Netanyahu. Os coreanos Lee Myung-bak, presidente da Coreia do Sul, e o temido Kim Jong-il da Coreia do Norte também protagonizam outro beijo da campanha, além  do francês Nicolas Sarkozy e a chanceler alemã Angela Merkel.

A campanha convoca ainda jovens pelo mundo, para divulgar a cultura de paz do projeto.  Um vídeo também foi feito pelo diretor francês Laurent Chanez. Confira abaixo:

Nota: É claro que o Vaticano reagiu à campanha considerando a publicidade “uma falta de respeito grave ao Papa”. Em comunicado, o porta-voz da Santa Sé, padre Federico Lombardi, anunciou “diligências ante as autoridades para garantir (…) o respeito à figura do Pontífice”. Segundo ele, o Vaticano protesta “contra a utilização inaceitável da imagem do Santo Padre, manipulada e instrumentalizada, como parte de uma campanha publicitária com finalidades comerciais”. A Benetton optou por retirar de circulação a imagem protagonizada pelo Papa.

“Reality never lives up to itself for me.

20 set

I’m less interested in recording than in sharing the way I feel about things.”

Art Kane (1925- 1995) era um dos verdadeiros mestres da fotografia do século 21 e eu descobri ter perdido muito tempo por ainda não conhecê-lo. Kane se considerava um fotógrafo conceitual e dizia querer comunicar os elementos invisíveis da personalidade daqueles que fotografava. Em sua carreira de quase 50 anos, primeiramente como diretor de arte e por último como fotógrafo, Kane deixou um legado de originalidade:

THE WHO 1968

BOB DYLAN McCain 1969

JANIS JOPLIN Life 1968

STATUE OF LIBERTY 1962

1980

JUNE 1954

Tem mais aqui e vale a pena.

Gregório Reis Entre Quatro Paredes

16 maio

EV! entrevista o publicitário de moda, modelo e designer Greg Reis

A equipe do EV! entrevistou o jovem Greg Reis, que conhecemos depois de assistir a uma palestra dele sobre publicidade de moda. Gregório é formado em Publicidade e Propaganda pela PUC Minas, mestrado pela NABA (Nuova Accademia di Belle Arti) e possui um portfólio cheio de projeto bacanas – que contém, inclusive, uma campanha para a grife Diesel. Além das campanhas de moda, ele acaba de lançar a grife de acessórios Beth, God save the Queen, que é descrita como uma grife de “acessórios para a realeza”. Confira abaixo o que descobrimos sobre Greg entre quatro paredes. E quem quiser, pode conhecer outros trabalhos dele clicando aqui.

Apresentação da campanha de moda para Diesel e Diesel Black Gold no SS/2010 da fashion week em Milão

Quais as principais diferenças entre publicidade de moda e a publicidade “normal”?

A publicidade como a conhecemos hoje é fruto do sistema moda. A característica de o que alguns chamam de “sociedade-moda” ou sociedade contemporânea de adorar o inconstante e a mudança nonstop possibilita e intensifica a existência da publicidade. Então as duas (publicidade e moda) são bastante interligadas.
Na prática, a publicidade feita para o setor moda é notoriamente mais carregada de vanguardismos. Existe uma pressão maior e uma expectativa mais pesada sobre a moda de se mostrar completamente nova. Se espera mais inovação no discurso de uma marca de vestuário do que uma sabão em pó, por exemplo.

Design de website para o músico Ian Hockley. Muscat, Oman - 2010

Quais conceitos transmitidos pelas propagandas de moda você considera prejudiciais ao público, e quais os positivos?

Eu acredito que essa seja uma questão bem relativa. Quais temas tratados no cinema seriam prejudiciais ao público? Eu acredito que os limites entre publicidade e entretenimento se encurtam cada vez mais… Respondendo: não acho que existam temas prejudiciais. Acho que existam boas e más propagandas.

Quais estratégias são utilizadas hoje em dia para chamar a atenção do público de moda que não eram utilizadas antigamente?

Os mesmos que a publicidade em geral começam a usar: mais recursos na internet, que se espalham por conexões em celulares, i-pods e etc., guerrilla e outras ferramentas de marketing que evoluem sempre para tornar a propaganda mais calorosa e mais humana, mais próxima do indivíduo que a recebe. No caso específico da moda ressalto o audio-visual como alternativa recente. O vídeo serve bem à moda, ressalta detalhes técnicos do produto (texturas, costuras, shapes…), transmite conceitos complexos com eficácia e hoje pode atingir uma quantidade incrível de pessoas, em pouco tempo e a um baixo custo.

Existe uma discussão de que, hoje em dia, as pessoas estão mais bem informadas e críticas em relação à informação e isso acontece também na propaganda. Como isso pode ser usado para a criação de campanhas, em especial no  aspecto da moda, ainda mais eficientes?

As pessoas querem se divertir. Citei antes sobre publicidade e entretenimento se tornarem cada vez mais próximos. Acredito que as pessoas estejam mais céticas e, portanto, mais abertas à ironia. Hoje a publicidade de sucesso é aquela que conta a historinha mais divertida e inteligente. É a publicidade que cria um mundo ao entorno do produto, que seduz pela criação de um imaginário próximo ao imaginário literário ou cinematográfico e utiliza um bom mix de estratégias digitais e também no mundo real. No caso da moda não é diferente.

Quais os principais diferenças entre fashion films para coleções prêt-à-porter e coleções de alta costura?

Fashion films ainda estão tomando forma. Mas o que podemos detectar é que alguns são mais próximos da linguagem publicitária (o caso dos fashion films criados para coleções prêt-à-porter) e outros que são mais próximos do cinema ou da video-arte (mecado de luxo).
Hoje as grandes marcas de alta costura produzem também coleções pret-a-porter e utilizam um discurso único de comunicação (aquela história de criar uma fábula onde a marca é personagem principal). O mercado de luxo utiliza essa sedução principalmente para vender os produtos mais baratos. Marcas de luxo fazem grana vendendo perfumes para quem não consegue comprar os vestidos… tipo. Então no fim das contas a divisão entre fashion films não acontece tanto entre prêt-à-porter x alta costura, mas no público alvo das marcas.

Festa de lançamento do website de moda http://www.thepineapple.com.br. O site é produzido por Natalia Assis e Maíra Sette, em BH, Brasil

O que vê como tendências de temáticas e meios de divulgação para futuro da publicidade de moda?

A pura e mais completa mistura de tudo. No rules!

Como a internet e, em especial, as redes sociais podem auxiliar na vendagem de moda?

Como já disse antes a internet quase põe em discussão a existência dos desfiles. Hoje o vídeo atende muito bem. No caso das redes sociais eu acredito que sejam de extrema importância. A moda vive de emulação, de “quem faz o que”, “onde está?” “o que veste?” “o que tem?”… e o Facebook não é exatamente isso?

Algumas pessoas envolvidas com publicidade não a consideram arte, outras sim. Você considera a publicidade, e em especial a de moda, uma arte?

Posso considerar. Mas isso da pano pra mais um século de manga! (pra ficar no tema “moda”)

O que você entende por moda?

Eu fico com a teoria sempre: a moda foi criada ou estabilizada com a modernidade. Moda é o amor pelo novo, pelo diferente, pela inovação. É um sistema cultural que influencia os processos produtivos e estimula a continuidade de criações de novidades. Na prática, pra mim, é a forma mais democrática de expressão da individualidade.

Quais os artistas de dentro do mundo da moda (estilistas, fotógrafos de moda, editores de moda, film makers, etc.), e quais os de outras artes (pintores, escultores, fotógrafos, diretores de cinema, vídeo artistas, escritores, etc.),” que influenciam seu trabalho?

Difícil. Por muito tempo fiquei com Mondigliani me assombrando. Adoro Miró e acho que consigo encaixar sua estética em qualquer publicidade se eu quiser. Tiro muitas referências da literatura.. Primo Levi é um dos autores que já inspiraram peças e campanhas. Na moda prefiro não olhar pra dentro do setor para criar comunicação mas exatamente fugir dos vícios. Gosto de olhar pra arte contemporânea mas também pra vida cotidiana, objetos aparentemente não interessantes… Na realidade eu sou meio kitsch! 🙂 ♥

Em quais outros setores da moda você atua além da publicidade?

Já desempenhei vários papéis. Fui modelo em Hong-Kong para a Wrangler e na mesma semana produtor de moda pra Adidas. Trabalhei como diretor de arte e modelo para o mesmo desfile em Milão. Desenvolvo junto com uma amiga uma linha de acessórios que está super legal. Gosto e me interesso por moda mas a é a minha experiência com comunicação e arte que me permite atuar bem dentro dela. O negócio de ser modelo é que não estava previsto! 🙂

Qual sua opinião sobre o atual boom dos blogs de moda?

Existem muitos, mas poucos falam bem. Aí é que é a hora dos jornalistas formados em cursos superiores mostrarem pra que vieram. Acho ótimo que todos podem falar e a multiplicidade de vozes é uma oportunidade de troca e criação muito importante. Mas todos sentimos falta de informações profissionalmente trabalhadas e oferecidas com qualidade… Todo mundo quer falar pra se sentir “in”… Falar de moda tá na moda. Mas é um mundo bem complexo que exige atualização constante e nem todo mundo tem tempo, disposição ou talento pra isso. Na realidade, blog de moda com qualidade são poucos. Por isso acho que a curva desse boom vai dar uma invertida boa em breve.

Gregório, em trabalho como modelo

Gregório, em trabalho como modelo

 

Como sua experiência como modelo influencia na sua carreira de publicitário de moda?

Eu gosto de ter a idéia do processo em 360 graus. Quando sou o diretor criativo de uma campanha sei que posso me colocar no lugar das pessoas envolvidas no processo com propriedade porque já estive no lugar delas. Não descarto a idéia de pensar no modelo quando produzo uma campanha publicitária pra moda. Acho que isso é fundamental e positivo para o processo.

Você acabou de lançar uma grife de acessórios, a Beth, God Save The Queen. Conte-nos mais sobre esse projeto.

A Beth é uma brincadeira que deu certo. Eu e Bruna Foureaux somos sócios e amigos de infância. Nos chamamos “príncipe” e “princesa” no dia a dia, como amigos e brincalhões que somos. A Betj foi uma consequência de nossos percursos profissionais e a nossa vontade de fazermos algo juntos. Deu certo porque nos completamos como pessoas e profissionais. Hoje outras pessoas queridas para nós estão envolvidas no processo. A idéia é exatamente envolver o nosso círculo pessoal, imprimir a nossa identidade no produto. É uma marca que produz acessórios belos, mas ambientalmente corretos, com uma identidade forte e um publico determinado, porque nós, como pessoas, somos assim. E isso é extremamente satisfatório.

Porque é humano pecar

12 out

Para comemorar os 90 anos da Vogue Paris, um de meus fotógrafos favoritos, Steven Klein, preparou um editorial especial para a edição de Outubro deste ano. Desta vez, Klein apropria-se dos Sete Pecados Capitais para transmitir sua principal temática: Sexo & Violência. Entitulado de Les Péchés, o editorial conta os modelos Lara Stone, Cesar Casier e Christopher Michaut, além do styling de Carine Roitfeld. Desfrutem estes pecados, porque é humano pecar.

Avareza

Gula

Inveja

Ira

Luxúria

Preguiça

Vaidade

E para entrar ainda mais no clima Sex & Violence de Steven Klein, uma música dos Scissor Sisters:

Modelo vivo

30 set

No post sobre Nicola Formichetti, deixei de falar de dois ensaios para a Vogue Hommes Japan que deram o que falar nos últimos meses. O primeiro, esperado há muito tempo por seus fãs (assim como eu), sugeria a existência de Jo Calderone, um mecânico de origem italiana, recém-descoberto e estreando como modelo através das lentes de Nick Knight. Porém, em pouco tempo, os little monsters descobriram de quem se tratava: Lady Gaga. O engraçado é que, em entrevista à revista, ele afirma ter tido um caso com a cantora. (?)

O segundo ensaio trata-se de um pôster que mostra Lady Gaga vestindo um biquíni de carne real, um prelúdio para o VMA 2010. A fotografia é de Terry Richardson, de quem falaremos em breve.

Porém, a grande novidade é a versão animada de inverno da Vogue Hommes Japan, lançada diretamente para iPAD. Com styling de Nicola e fotografia de Pierre Debusschere, o ensaio ficou interessantíssimo e bizarro, no melhor estilo Formichetti. Enquanto você não tem seu iPAD, confira o ensaio aqui, no EV!

Os corpos de Ellen Von Unwerth

10 jul

Depois de longos meses sem postar algo que valesse a pena ser lido, estou de volta,  falando de minha fotógrafa favorita. Ellen Von Unwerth nasceu em 1954, na Alemanha e dedica-se, principalmente, à fotografia de moda. Deixando as informações de Wikipédia de lado, o que mais me chama a atenção em seu trabalho é a capacidade de traduzir as possibilidades dos corpos: os modelos tornam-se perfeitas interpretações de aspectos do ser humano. Se ela fala de androginia, de mulher-objeto ou de femme fatale, essas ideias estão claríssimas em sua obra, deixando de lado sugestões, mas sem perder a subjetividade. Eu diria que é uma fotógrafa objetiva que deixa o subjetivo para os detalhes. Bem, só vendo seus ensaios maravilhosos e assistindo seus videoclipes para entender. Aqui vão meus favoritos: Omahyra e Boyd dissertando sobre a androginia e Christina Aguilera voltando às raízes no vintage I Got Trouble.


Otto Stupakoff inaugura novo espaço artístico

28 fev
Composições simples, mas bem calculadas são destaque nas fotos de Otto

Quem se lembra do espaço do Instituo Moreira Salles lá na Avenida Afonso Pena, 737? Pois bem, a galeria, que já abrigou exposições fotográficas interessantíssimas, pertence hoje à Fundação Clóvis Salgado que, há cerca de um mês, a incorporou. 

Para comemorar a incorporação, assim como os recém-completos 40 anos da Fundação, estão sendo expostas 70 obras do fotógrafo brasileiro Otto Stupakoff. Otto foi um grande mestre do preto-e-branco – embora tenha trabalhado com cores, também – e expoente da fotografia de moda, não só nacional, como também mundial. Tendo fotografado para gigantes como Vogue, Elle, Stern, Marie Claire, Cosmopolitan, Harper’s Bazaar, Life e Look Magazine, ficou famoso também pelos cliques de personalidades, de Jack Nicholson a Tom Jobim. 

A exposição ficará em cartaz até o dia 21 de Março no novíssimo Centro de Arte Contemporânea e Fotografia, que dispõe de 312 metros quadrados em galerias e, posteriormente, ganhará ateliês, estúdios e salas multimídia. O Centro funciona de terça-feira a domingo, das 12h às 19h e a entrada é franca. Mais informações aqui

 

  

Uma amostra de seu trabalho em cores