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Os amores de Joapa

25 out

Acredito que o que marca mais o trabalho artístico de João Paulo Tiago seja amar demais.Joapa ama a cultura japonesa, as cores saturadas, os traços negros, finos e precisos, as aquarelas simples e geniais, as fantásticas histórias dos mangás e animes, a mensagem de amizade de Doraemon, os grandes e expressivos olhos, os corpos diminutos e grandes cabeças fofas dos chibis.

Ama o homoerotismo, as frontes baixas, as sobrancelhas grossas, os corpos definidos e vigorosos, as curvas fechadas, os pêlos, as barbas, os cabelos curtos, a comunhão entre dois semelhantes, o suor trocado, os suspiros úmidos, as relações que, de tão naturais, chegam a parecer pecaminosas.

Ama o Sagrado, o Espírito Santo, a paixão dos corações ardorosos e dilacerados, o Pai, a Mãe, o dourado, o azul e o vermelho das igrejas barrocas, as luzes vacilantes das velas em procissão.

Ama a música pop, dançar como se ninguém estivesse vendo, as coreografias, os videoclipes, os hits, os absurdinhos, os clubs, as pick ups, os remixes, as noites caramelizadas e alcoolizadas, os pubs, o suor no fim da noite, os amigos de uma noite e de uma vida inteira, a ressaca moral do dia seguinte.

Ama a poesia, seja nos versos de Drummond, nas epifanias de Clarice, nos vídeos de Björk ou nos desfiles de Lee.

Ama Lady Gaga, a diversão, o just dance, o little bit too much, os soldiers, a liberdade, a divice e as surpresas.

Ama o café, o chá, as massas e outros petiscos, seja em casa, seja no bar, mas sempre em companhia dos amigos.

Ama envolver-se, jogar-se, seja na arte, seja nos relacionamentos. Porém, tanto amor pode acabar se transformando em ódio ou amargura, mas sempre vem um novo amor apagar os resquícios ruins daquele que não deu certo.

Ama até quando o amor é uma paixão fingindo que é amor.

Afinal, acho que Joapa ama mesmo é amar. Ama o amor, pura e simplesmente.

Câmera fotográfica com 158 lentes

8 abr

Uma câmera fotográfica totalmente inútil entrou para o livro dos recordes, o Guiness Book, por ser a câmera fotográfica com maior número de lentes.

O gadget, que por sinal é bem pequeno – corpo de 7,2 cm de altura e 47 cm de diâmetro, foi criado/desenvolvido no Instituto de Tecnologia de Nagoya, Japão, pelo professor Yojiro Ishino,  e tem suas 158 lentes, cada uma no valor de US$ 2,10, dispostas em 4 linhas e tem como objetivo fotografar de vários ângulos diferentes.

Realmente não dá pra fotografar muita coisa com o aparelhinho que levou apenas 6 meses para ficar pronto. E com lentes neste valor não dá pra acreditar que as fotos sairão lá muito boas. Neste tamanho talvez a gente consiga uma imagem 3D de uma chama de vela. Anyway, fica a dica/idéia de um projeto futuro para qualquer cientista louco por aí que queira se aventurar.

Foto grandeInformações

Semana da Poesia EV – Sábado (27/03/2010)

27 mar
Nesse sábado, trazemos mais uma tradução. Dessa vez, um poema do sacerdote budista e poeta japonês Sami Mansei. O poema faz parte da coletânea Man’yōshū – ou, em bom português, “Coletânea de Dez Mil Folhas” -, conhecida como a mais antiga coleção de poemas japoneses e surgida durante o Período Nara (710 a.C – 794 d.C). Créditos ao Bungaku! pela tradução.

「 世の中を

何にたとえむ

朝ぼらけ

漕ぎ行く舟の

跡の白波 」

A nossa vida neste mundo

a que devemos compará-la?

é como um barco alinhado na pausa do dia,

sem deixar rastro.