Tag Archives: João Cabral de Melo Neto

Lirismos de Quinta – 18/07/2013

18 jul

Fábula de um Arquiteto, João Cabral de Melo Neto

A arquitetura como construir portas,
de abrir; ou como construir o aberto;
construir, não como ilhar e prender,
nem construir como fechar secretos;
construir portas abertas, em portas;
casas exclusivamente portas e tecto.
O arquiteto: o que abre para o homem
(tudo se sanearia desde casas abertas)
portas por-onde, jamais portas-contra;
por onde, livres: ar luz razão certa.

Até que, tantos livres o amedrontando,
renegou dar a viver no claro e aberto.
Onde vãos de abrir, ele foi amurando
opacos de fechar; onde vidro, concreto;
até fechar o homem: na capela útero,
com confortos de matriz, outra vez feto.

“É a parte que te cabe deste latifúndio”

27 nov

Em cartaz desde 30 de Setembro desse ano (!) no Teatro da Cidade (rua da Bahia, 1341, Centro, Belo Horizonte) a versão do texto clássico de João Cabral de Melo Neto ganhou uma adaptação musicalizada por Chico Buarque de Hollanda para o teatro. Sob direção de Pedro Paulo Cava, a peça traz em cena 15 atores que também cantam, tocam instrumentos e dançam. O grande  destaque da peça fica para Luiz Gomide, que estrela no papel da “Morte”, que aparece apenas indiretamente no texto original, de forma sensacional.

Quem quiser se deliciar com os cerca de 70 minutos de atuações, músicas e projeção de obras de Cândido Portinari, a peça ficará em cartaz até o dia 11 de dezembro.

Mais informações:

HORÁRIO: Quinta a Sábado às 20h30 e Domingo às 19h

PREÇOS: – Quintas e sextas: Meia-entrada = R$15,00 e Inteira = R$30,00
– Sábados e Domingos: Meia-entrada = R$20,00 e Inteira = R$40,00

Lirismos de Quinta – 03/03/2011

3 mar

Repetir para aprender, criar para inovar. (Ezra Pound, 1885-1972)

Ezra Pound, poeta estado-unidense, introduziu na poesia os conceitos de melopeía (sonoro), logopéia (semântico) e fanopéia (visual), os quais exigem grande técnica e conteúdo para que possam ser trabalhados.  Para fazer seus poemas, Pound trabalhava com cada palavra individualmente, de modo que o conteúdo estivesse de acordo com estes três conceitos. Foi referência para grandes poetas brasileiros, como Mário Faustino e João Cabral de Melo Neto.

IMAGEM DE D’ORLEANS (E. Pound)Jovens nas ruas a cavalgar
No brilho da nova estação
Esporeiam sem razão,
Fazendo as montarias saltar.

E no passo em que vão
As patas ferradas a trotar
Riscam faíscas nas pedras do chão
No brilho da nova estação.