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Metáfora

7 maio

“In my opinion, the only controversial thing about this video [JUDAS] is that I’m wearing Christian Lacroix and Chanel in the same frame.” – Lady Gaga

"Let the Cultural Baptism begin"

Não, o mais legal no videoclipe de JUDAS não é a gangue de apóstolos motoqueiros. Nem o revólver-batom, nem o vestuário metal/gospel, nem o batismo de cerveja, nem o sagrado coração feito por balas de revólver. Nem a fotografia pictórica e os cenários da Jerusalém underground do século XXI. E também não é a música que emula Bad Romance, expandindo sua sonoridade e letra a níveis muito mais altos. É claro que todos esses elementos são interessantíssimos e instigantes, mas o que se destaca no vídeo é a capacidade de Gaga de transmitir suas ideias da forma mais clara e coerente possível. Durando somente cinco minutos e alguns segundos, JUDAS foge dos padrões de curta-metragem dos trabalhos anteriores da artista, porém se destaca entre os antecessores por utilizar, da melhor maneira possível, a linguagem do videoclipe, que engloba imagens-choque, movimentação dos dançarinos e câmera de forma narrativa e emblemática e clareza na transmissão de ideias. Não há a necessidade de contar uma história (afinal, neste caso, a história por trás do clipe já está bem consolidada no maior best-seller de todos os tempos, a Bíblia), mas sim de transmitir, através de metáforas visuais, a mensagem da música, que passa longe de blasfêmias. Isso é feito com mestria por Lady Gaga, que, junto a sua equipe de criação, a Haus of Gaga, faz sua estreia como diretora, ao lado de Laurie Ann Gibson, sua coreógrafa. É muito estimulante saber que a artista mais popular atualmente trabalha com um embasamento teórico e referencial tão bem estruturado, levando, ao maior público possível, criações que não subjugam a capacidade intelectual dos espectadores. Muito ao contrário, despertam o senso crítico e estimulam o debate de temas humanos e profundos. JUDAS é, por fim, uma experiência extremamente rica visual e psicologicamente, sem ser pretensiosa ou ofensiva a qualquer credo.

Be yourself, respect your youth

11 fev

Primeira imagem da era Born This Way

Escrevo este post já rouco (às 9 horas da manhã) e sem conseguir parar de dançar e cantar (ou desativar o replay). Em 2009, no VMA, uma garota de apenas 23 anos colocava suas garras sangrentas para fora. Antes disso, uma infinidade de hits e estilos levaram-na ao estrelato em uma velocidade inimaginável. Nem Madonna, à qual ela foi sempre comparada, conseguiu tamanha façanha em tão pouco tempo. Sangrando durante 4 minutos em televisão aberta, ela enterrava a era The Fame, cheia de humor irônico, apelo sexual e hits descompromissados. Nascia a era The Fame Monster, uma verdadeira apologia à monstruosidade, em todas suas faces (ou olhos, garras e presas) e, principalmente, ao medo. Uma gogo dancer e performer de New York, vinda de família italiana e tradicional, de repente, tornava-se a mulher mais conhecida no mundo. Paparazzi, fãs “xiitas” e os meios de comunicação tentaram derrubá-la, inventando mentiras sobre seu sexo, amantes e intenções artísticas. Mas a ela só interessavam as mentiras que ela mesma queria contar. E as de seus fãs também. O Manifesto of Little Monsters selou o pacto entre ela e milhões de crianças, jovens e adultos, seus little monsters, mentirosos por natureza. Com a Monster Ball, ela trouxe todos seus monstros ao palco, derrubando um a um. O amante canibal, o horrível peixe abissal da infância, as drogas, o escuro, os fantasmas underground. Com o videoclipe de Alejandro, ela enterrava a era The Fame Monster, pois os monstros já não conseguiam mais assustá-la. Sua nudez frente aos soldados do vídeo mostrava: ela estava preparada para dar sua cara a tapa e seguir em frente. Ela já tinha fama, não precisava mais falar sobre isso. Cabelo curto, roupas mais simples e a divulgação de You & I não enganavam: a estrela havia sofrido uma mutação. Seria somente por estar apaixonada, novamente, por um cool Nebraska guy? E daí? Ela nunca escondeu a essência sentimental de toda sua arte.

Na mesma época do lançamento de Alejandro, ela revisitava sua cidade natal, reencontrava seus velhos amigos e família, refazia um romance. A época perfeita para anunciar, oficialmente, a vinda de um novo álbum. Já no VMA de 2o10, enquanto o mundo chocava-se com sua roupa de carne, os little monsters festejavam o anúncio do nome de seu novo trabalho: Born This Way. Nos meses seguintes, tudo o que tínhamos eram quatro versos: I’m beautiful in my way / ‘Cause God makes no mistakes / I’m on the right track, baby / I was Born This Way. Já bastava (por hora). Sabíamos que ela tornaria verdade as mentiras contadas todas as noites, durante seus gigantescos concertos: retribuiria toda a confiança depositada nela por seus fãs, os responsáveis por ela chegar aonde está. E o principal: lutaria por eles e por seus direitos. Dito e feito: hoje, dia 11 de Fevereiro de 2011, a cantora lança seu novo single: Born This Way.

Capa do single “Born This Way”

Crianças sofrendo dentro e fora de casa por gostarem dos brinquedos que seus pais e professores acham inapropriados. Adolescentes que são obrigados a “castrar” sua sexualidade, para não viverem uma guerra em casa e na escola. Em troca disso, vivenciam batalhas contínuas e dolorosas, dentro de si mesmos. Aqueles que não encontram apoio em amigos ou em psicólogos, morrem mentalmente e/ou fisicamente. Adultos que encontram, nos outros, repulsa e discriminação, por estarem amando alguém do mesmo sexo. E essas pessoas são as que sofrem por questões sexuais e religiosas. A música ainda traz à tona aquelas que são discriminadas por sua etnia, cor da pele, ascendência ou credo. E os versos de Born This Way falam de todas essas pessoas que vivem um inferno por terem nascido diferente do que os outros esperam delas. Seria absurdo afirmar que essa cantora é a primeira a trazer esse assunto à tona, mas será que os fatos de ela ser a mais conhecida no mundo e de sua música, a partir de agora, começar a tocar em todos os lugares, rádios e casas, não farão a diferença? Discursos até mais elaborados do que o dela espalham-se por todo o mundo (ainda bem), mas, com certeza, a partir de 2011, o de Lady Gaga será o mais ouvido. A capa do single resume muito bem toda a elaborada letra e a musicalidade super bem produzida de Born This Way: Gaga agora é aquela que une o monstro e a beleza, como o unicórnio, símbolo (clássico) de sua nova era. Nua e etérea, mas ao mesmo tempo poderosa e indestrutível, ela mostra que está pronta para a batalha e que será impossível derrubá-la. Sem recorrer ao ódio ou à intolerância, ela inicia uma guerra. Dê o play na primeira batalha.

Os amores de Joapa

25 out

Acredito que o que marca mais o trabalho artístico de João Paulo Tiago seja amar demais.Joapa ama a cultura japonesa, as cores saturadas, os traços negros, finos e precisos, as aquarelas simples e geniais, as fantásticas histórias dos mangás e animes, a mensagem de amizade de Doraemon, os grandes e expressivos olhos, os corpos diminutos e grandes cabeças fofas dos chibis.

Ama o homoerotismo, as frontes baixas, as sobrancelhas grossas, os corpos definidos e vigorosos, as curvas fechadas, os pêlos, as barbas, os cabelos curtos, a comunhão entre dois semelhantes, o suor trocado, os suspiros úmidos, as relações que, de tão naturais, chegam a parecer pecaminosas.

Ama o Sagrado, o Espírito Santo, a paixão dos corações ardorosos e dilacerados, o Pai, a Mãe, o dourado, o azul e o vermelho das igrejas barrocas, as luzes vacilantes das velas em procissão.

Ama a música pop, dançar como se ninguém estivesse vendo, as coreografias, os videoclipes, os hits, os absurdinhos, os clubs, as pick ups, os remixes, as noites caramelizadas e alcoolizadas, os pubs, o suor no fim da noite, os amigos de uma noite e de uma vida inteira, a ressaca moral do dia seguinte.

Ama a poesia, seja nos versos de Drummond, nas epifanias de Clarice, nos vídeos de Björk ou nos desfiles de Lee.

Ama Lady Gaga, a diversão, o just dance, o little bit too much, os soldiers, a liberdade, a divice e as surpresas.

Ama o café, o chá, as massas e outros petiscos, seja em casa, seja no bar, mas sempre em companhia dos amigos.

Ama envolver-se, jogar-se, seja na arte, seja nos relacionamentos. Porém, tanto amor pode acabar se transformando em ódio ou amargura, mas sempre vem um novo amor apagar os resquícios ruins daquele que não deu certo.

Ama até quando o amor é uma paixão fingindo que é amor.

Afinal, acho que Joapa ama mesmo é amar. Ama o amor, pura e simplesmente.

O pai das Chibi Gagas

25 out

Por todo o mundo, milhões de little monsters (como são conhecidos os fãs de Lady Gaga) recriam, cada um a seu modo, o universo idealizado pela cantora. Seja através de desenhos, pinturas, paródias de seus videoclipes, bonecas com seus looks, fotografias e até fantasias, a única regra é se divertir, inspirando-se nas idéias de liberdade e criatividade divulgadas por Gaga. Foi com essa premissa básica que um de seus fãs mais fervorosos, o artista plástico mineiro João Paulo Tiago, mais conhecido como Joapa, criou as Chibi Gagas. Mesclando os looks da cantora com os pequenos desenhos de origem japonesa, Joapa conseguiu criar uma fan art fofa e bem humorada, que vem fazendo sucesso na Internet. Suas 40 “filhinhas” (até agora) já apareceram no Gaga Daily, o maior blog sobre a artista, na revista feminina GLOSS e em dezenas de blogs e sites sobre o mundo pop e moda. Obviamente, as Gaguitas têm forte potencial comercial, o que Joapa soube aproveitar criando as camisetas estampadas com suas criações, que foram lançadas no final de janeiro deste ano, no Velvet Club, durante a festa mais pop da cidade, a Caramelo Sundae, que acontece sempre aos domingos. Atualmente, o artista recebe pedidos de todo o Brasil e as Chibi Gagas estão por toda a blogosfera. Você pode conferir todas em seu blog. Os pedidos de camisetas podem ser feitos através do email jpgroove@gmail.com e as estampas disponíveis estão na loja virtual. Corra e pegue a sua!

(Em breve, mais um post sobre os outros trabalhos de Joapa!)

Retrato vivo

30 set

Eu já havia visto este projeto, mas só agora me lembrei de postá-lo. Aproveitando a deixa das fotografias animadas da Vogue Hommes Japan, apresento a vocês o projeto 200 Portraits, realizado pelo SHOWstudio do fotógrafo Nick Knight, em associação com a i-D Magazine, em comemoração dos 30 anos dessa revista. São mais de 200 pessoas influentes na música, moda e cultura atualmente, escolhidas a dedo e fotografadas por Knight. O interessante é que os retratos são vivos, sendo divulgados vídeos com horientação vertical, como uma fotografia do mundo dos bruxos de Harry Potter. Aqui está a de Lady Gaga (claro!) e as outras você pode conferir no site SHOWstudio.com.

Modelo vivo

30 set

No post sobre Nicola Formichetti, deixei de falar de dois ensaios para a Vogue Hommes Japan que deram o que falar nos últimos meses. O primeiro, esperado há muito tempo por seus fãs (assim como eu), sugeria a existência de Jo Calderone, um mecânico de origem italiana, recém-descoberto e estreando como modelo através das lentes de Nick Knight. Porém, em pouco tempo, os little monsters descobriram de quem se tratava: Lady Gaga. O engraçado é que, em entrevista à revista, ele afirma ter tido um caso com a cantora. (?)

O segundo ensaio trata-se de um pôster que mostra Lady Gaga vestindo um biquíni de carne real, um prelúdio para o VMA 2010. A fotografia é de Terry Richardson, de quem falaremos em breve.

Porém, a grande novidade é a versão animada de inverno da Vogue Hommes Japan, lançada diretamente para iPAD. Com styling de Nicola e fotografia de Pierre Debusschere, o ensaio ficou interessantíssimo e bizarro, no melhor estilo Formichetti. Enquanto você não tem seu iPAD, confira o ensaio aqui, no EV!

Por trás de uma Lady, há sempre um Mr.

27 set

Dois descendentes de italianos, mas ela é de Nova Iorque e ele, de outro planeta, chamado Japão. Duas origens extremamente excêntricas que, ao se encontrarem, geraram o fenônemo chamado Lady Gaga.

Lady Gaga, Nicola Formichetti e Matt “Dada” Williams, por Nick Knight, para i-D Magazine

Com certeza, Stefani Joanne Angelina Germanotta não teria se tornado a Gaga que conhecemos hoje e, provavelmente, não faria tanto sucesso sem a colaboração de Nicola Formichetti. O fashion stylist, consultor de moda e diretor criativo conheceu a cantora em um ensaio para a V Magazine, em 2009. A partir daí, o conceito “Gaga” mudaria. Embalada pela fase “The Fame Monster“, a parceria entre eles mostrou funcionar. Nicola começou a ser responsável por todos as produções da cantora, desde os figurinos da promissora “Monster Ball“, passando pelos ensaios para revistas, entrevistas e performances na TV, até os escandolosos looks exibidos por poucos minutos, no entra e sai dos hotéis. Construindo uma carreira em que suas roupas são quase tão importantes quanto sua música, Gaga deve a Nicola grande parte de seu sucesso estrondoso.

Ensaio em que conheceu Gaga, para V Magazine

Lady Gaga no Royal Variety Show, apresentando-se para a rainha Elizabeth II

Lady Gaga no Accessories Council Excellence Awards

Lady Gaga em performance de “Alejandro”, no American Idol

Lady Gaga após o histórico VMA 2009

Mas Nicola Formichetti não é somente responsável pelo visual de Gaga. Sempre envolvido em projetos novos, ele também é diretor de moda da Vogue Hommes Japan (que está fazendo sucesso mundial), e editor de moda de revistas como Dazed & Confused e V Magazine. Além disso, trabalha com os maiores fotógrafos e grifes do mundo, como Hedi Slimane, Steven Klein, Nick Knight, Mariano Vivanco, Alexander McQueen, Prada e Armani. Recentemente, foi escolhido como o novo diretor criativo de Thierry Mugler, um dos estilistas mais originais da história da moda. O talento de Nicola está em conseguir dialogar com muitas culturas, sem preconceitos, agregando o lixo ao luxo, o elegante ao freak e o ordinário ao original.

Ensaio por Mariano Vivanco, para Vogue Hommes Japan

Ensaio por Steven Klein, para Vogue Hommes Japan

Ensaio por Mariano Vivanco, para Commons & Sense Man

Ensaio por Hedi Slimane, para Vogue Hommes Japan