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Lirismos de Quinta – 03/03/2011

3 mar

Repetir para aprender, criar para inovar. (Ezra Pound, 1885-1972)

Ezra Pound, poeta estado-unidense, introduziu na poesia os conceitos de melopeía (sonoro), logopéia (semântico) e fanopéia (visual), os quais exigem grande técnica e conteúdo para que possam ser trabalhados.  Para fazer seus poemas, Pound trabalhava com cada palavra individualmente, de modo que o conteúdo estivesse de acordo com estes três conceitos. Foi referência para grandes poetas brasileiros, como Mário Faustino e João Cabral de Melo Neto.

IMAGEM DE D’ORLEANS (E. Pound)Jovens nas ruas a cavalgar
No brilho da nova estação
Esporeiam sem razão,
Fazendo as montarias saltar.

E no passo em que vão
As patas ferradas a trotar
Riscam faíscas nas pedras do chão
No brilho da nova estação.

Lirismos de Quinta – 24/02/2010

24 fev

Nessa semana, os Lirismos trazem um pouco da poesia de Mário Faustino, que mesmo tendo apenas um livro publicado em vida (em função de sua morte prematura, aos 32 anos). Faustino trabalhou a temática de sua obra poética baseando-se na tríade: amor, morte e vida.

BALATETTA – Mário Faustino

Por não ter esperança de beijá-lo
Eu mesmo, ou de abraçá-lo,
Ou contar-lhe do amor que me corrói
O coração vassalo,
Vai tu, poema, ao meu
Amado, vai ao seu
Quarto dizer-lhe quanto, quanto dói
Amar sem ser amado,
Amar calado.

Beijai-o vós, felizes
Palavras que levíssimas envio
Rumo aos quentes países
De seu corpo dormente, rumo ao frio
Vale onde vaga a alma
Liberta que na calma
Da noite vai sonhando, indiferente
À fonte que, de ardente,
Gera em meu rosto um rio
Resplandecente.

No sonolento ramo
Pousai, palavras minhas, e cantai
Repetindo: eu te amo.
Ele, que dorme, e vai
De reino em reino cavalgando sua
Beleza sob a lua,
Encontrará na voz de vosso canto
Motivo de acalanto;
E dormirá mais longe ainda, enquanto
Eu, carregando só, por esta rua
Difícil, meu pesado
Coração recusado,
Verei, nesse seu sono renovado,
Razão de desencanto
E de mais pranto.

Lirismos de Quinta

16 set

Hoje os Lirismos são em homenagem a um leitor especialíssimo, que tem nos apoiado: Sr. Múcio.

FIDEL, FIDEL – Mário Faustino

(1)
Mão invisível levanta a balança
O fiel se adianta –
O destino dos filhos da luta
Ergue-se aos céus.
Mão invisível levanta a balança
O fiel avança –
O destino dos filhos da Puta
Desce aos infernos.

Estribilho: Fidel, Fidel, que tiene
fidel
Que los americanos no pueden
com el?
Fidel, Fidel, dales duro
Fidel, al muro!

(2)
Fidel Cristo? Não: Fidel Castro
Fidel Cruz? Nada: Castro Ruz
Fidel Mártir? Não: Fidel Mastro.

Atirar Castro ao mar como quem se alivia
Do próprio lastro?
Nada: Fidel nossa corça
Preciosa, Fidel Mastro
Inquebrável, Fidel Cedro
Apontando pro céu – Fidel Astro,
Matutino, diurno, casto.
(parte final)

Lirismos de Quinta – 01/07/2010

1 jul

SONETO ANTIGOMÁRIO FAUSTINO


Esse estoque de amor que acumulei

Ninguém veio comprar a preço justo.

Preparei meu castelo para um rei

Que mal me olhou, passando, e a quanto custo.

Meu tesouro amoroso há muito as traças

Comeram, secundadas por ladrões.

A luz abandonou as ondas lassas

De refletir um sol que só se põe

Sozinho. Agora vou por meus infernos

Sem fantasma buscar entre fantasmas.

E marcho contra o vento, sobre eternos

Desertos sem retorno, onde olharás

Mas sem o ver, estrela cega, o rastro

Que até aqui deixei, seguindo um astro.

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