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De Bonnes Raisons x Boas Razões

19 maio

Que Les Chansons D’amour, do Cristophe Honoré, é um filme imperdível vocês já devem saber – embora o EV! nunca tenha falado sobre.  O filme é lindo de morrer em todos os aspectos, mas, para mim, o principal é a trilha sonora.

Entre as catorze músicas cantadas impecavelmente pelos atores, destaco aqui “De Bonnes Raisons”, cantada pelo Louis Garrel e pela Ludivine Sagnier.

Destaco-a porque, além de ser uma das minhas preferidas, outro dia levei um susto ao ouvir uma versão da Zélia Duncan para a música tocando no rádio. “Boas Razões” tem a letra bem parecida, o ritmo um pouco diferente e a participação da Fernanda Takai. Digo que levei um susto porque não sou muito fã da Zélia Duncan (embora adore a Fernanda) e graças também ao meu, digamos, ciúme irracional de músicas que eu gosto.

Vou colocar as duas versões aqui para vocês leitores opinarem:

Enfim, acho que é uma versão tão boa quanto “Tanto”, do Skank para “I Want You”, do Bob Dylan: são boas por se encaixarem e se manterem fiéis às letras originais, mas né, não acho que se igualem ou sejam melhores.

Capilaridade Musical

29 mar

Nem só de música vive o mundo da música. O estilo é também algo bastante valorizado nesse meio. E para chamar a atenção vale de tudo, até apelar para inovações no visual capilar. Alguns se tornam quase que “marcas registradas” de um determinado artista, como é o caso do mullet de Elvis Presley ou do penteado de Amy Winehouse. Os caras do Pop Chart Lab fizeram um pôster com vários artistas da música e alguns de seus estilos capilares marcantes, que você confere aí embaixo! A empresa também tem um twitter, quem quiser segui-los, está ai: @PopChartLab

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Be yourself, respect your youth

11 fev

Primeira imagem da era Born This Way

Escrevo este post já rouco (às 9 horas da manhã) e sem conseguir parar de dançar e cantar (ou desativar o replay). Em 2009, no VMA, uma garota de apenas 23 anos colocava suas garras sangrentas para fora. Antes disso, uma infinidade de hits e estilos levaram-na ao estrelato em uma velocidade inimaginável. Nem Madonna, à qual ela foi sempre comparada, conseguiu tamanha façanha em tão pouco tempo. Sangrando durante 4 minutos em televisão aberta, ela enterrava a era The Fame, cheia de humor irônico, apelo sexual e hits descompromissados. Nascia a era The Fame Monster, uma verdadeira apologia à monstruosidade, em todas suas faces (ou olhos, garras e presas) e, principalmente, ao medo. Uma gogo dancer e performer de New York, vinda de família italiana e tradicional, de repente, tornava-se a mulher mais conhecida no mundo. Paparazzi, fãs “xiitas” e os meios de comunicação tentaram derrubá-la, inventando mentiras sobre seu sexo, amantes e intenções artísticas. Mas a ela só interessavam as mentiras que ela mesma queria contar. E as de seus fãs também. O Manifesto of Little Monsters selou o pacto entre ela e milhões de crianças, jovens e adultos, seus little monsters, mentirosos por natureza. Com a Monster Ball, ela trouxe todos seus monstros ao palco, derrubando um a um. O amante canibal, o horrível peixe abissal da infância, as drogas, o escuro, os fantasmas underground. Com o videoclipe de Alejandro, ela enterrava a era The Fame Monster, pois os monstros já não conseguiam mais assustá-la. Sua nudez frente aos soldados do vídeo mostrava: ela estava preparada para dar sua cara a tapa e seguir em frente. Ela já tinha fama, não precisava mais falar sobre isso. Cabelo curto, roupas mais simples e a divulgação de You & I não enganavam: a estrela havia sofrido uma mutação. Seria somente por estar apaixonada, novamente, por um cool Nebraska guy? E daí? Ela nunca escondeu a essência sentimental de toda sua arte.

Na mesma época do lançamento de Alejandro, ela revisitava sua cidade natal, reencontrava seus velhos amigos e família, refazia um romance. A época perfeita para anunciar, oficialmente, a vinda de um novo álbum. Já no VMA de 2o10, enquanto o mundo chocava-se com sua roupa de carne, os little monsters festejavam o anúncio do nome de seu novo trabalho: Born This Way. Nos meses seguintes, tudo o que tínhamos eram quatro versos: I’m beautiful in my way / ‘Cause God makes no mistakes / I’m on the right track, baby / I was Born This Way. Já bastava (por hora). Sabíamos que ela tornaria verdade as mentiras contadas todas as noites, durante seus gigantescos concertos: retribuiria toda a confiança depositada nela por seus fãs, os responsáveis por ela chegar aonde está. E o principal: lutaria por eles e por seus direitos. Dito e feito: hoje, dia 11 de Fevereiro de 2011, a cantora lança seu novo single: Born This Way.

Capa do single “Born This Way”

Crianças sofrendo dentro e fora de casa por gostarem dos brinquedos que seus pais e professores acham inapropriados. Adolescentes que são obrigados a “castrar” sua sexualidade, para não viverem uma guerra em casa e na escola. Em troca disso, vivenciam batalhas contínuas e dolorosas, dentro de si mesmos. Aqueles que não encontram apoio em amigos ou em psicólogos, morrem mentalmente e/ou fisicamente. Adultos que encontram, nos outros, repulsa e discriminação, por estarem amando alguém do mesmo sexo. E essas pessoas são as que sofrem por questões sexuais e religiosas. A música ainda traz à tona aquelas que são discriminadas por sua etnia, cor da pele, ascendência ou credo. E os versos de Born This Way falam de todas essas pessoas que vivem um inferno por terem nascido diferente do que os outros esperam delas. Seria absurdo afirmar que essa cantora é a primeira a trazer esse assunto à tona, mas será que os fatos de ela ser a mais conhecida no mundo e de sua música, a partir de agora, começar a tocar em todos os lugares, rádios e casas, não farão a diferença? Discursos até mais elaborados do que o dela espalham-se por todo o mundo (ainda bem), mas, com certeza, a partir de 2011, o de Lady Gaga será o mais ouvido. A capa do single resume muito bem toda a elaborada letra e a musicalidade super bem produzida de Born This Way: Gaga agora é aquela que une o monstro e a beleza, como o unicórnio, símbolo (clássico) de sua nova era. Nua e etérea, mas ao mesmo tempo poderosa e indestrutível, ela mostra que está pronta para a batalha e que será impossível derrubá-la. Sem recorrer ao ódio ou à intolerância, ela inicia uma guerra. Dê o play na primeira batalha.

Pet Shop Dogs

26 dez

Muito papel, sucata e idéias criativas na cabeça foram os elementos necessários para a execução do videoclipe Bubblicious, do DJ Rex The Dog. Descubram o poder de um stop motion divertido aliado a boa música eletrônica!

Estereoscópio – Oskar Fischinger + Robyn

27 nov

É importante registrar esta homenagem.

Komposition in Blau, 1935, do animador alemão Oskar Fischinger

http://www.viddler.com/explore/BaalMan/videos/16/

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With Every Heartbeat, 2007, videoclipe da cantora pop sueca Robyn


Estereoscópio – “Do You Want To?”, Franz Ferdinand + Tio Sam

15 nov

Primeiro single da banda escocesa Franz Ferdinand, d0 álbum “You Could Have It So Much Better” (2005) – Domino Records, Do You Want To?

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Tio Sam

Lirismos de Quinta – 02/09/2010

2 set

Em minha primeira contribuição para o Lirismos de Quinta, publico um poema escrito por Adriana Calcanhotto e Waly Salomão. A versão a seguir é a musicada por Adriana e lançada em 2008, no disco Maré. A cantora conta que ela e o poeta nunca conseguiam chegar a um consenso de quando o poema estaria terminado. Para o lançamento do CD, Adriana resolveu utilizar a parte escrita até aquele momento. Waly, ainda insatisfeito, continuou a escrevê-lo. Após sua morte, foi publicado o poema orginal, mas acrescido de mais alguns versos. Será que Waly ainda teria algo a dizer sobre Teu Nome Mais Secreto?

“Só eu sei teu nome mais secreto
Só eu penetro em tua noite escura
Cavo e extraio estrelas nuas
De tuas constelações cruas

Abre-te Sésamo! – brado ladrão de Bagdá

Só meu sangue sabe tua seiva e senha
E irriga as margens cegas
De tuas elétricas ribeiras,
Sendas de tuas grutas ignotas

Não sei, não sei mais nada.
Só sei que canto de sede dos teus lábios
Não sei, não sei mais nada.”