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Semana da Poesia EV! – Segunda-Feira

28 mar

E então termina aqui a Semana da Poesia EV!. Para fechar em grande estilo, trago uma adaptação para o audiovisual dos poemas concretos “Cinco” (de José Lino Grunewald, 1964), “Velocidade” (de Ronald Azeredo, 1957), “Cidade” (de Augusto de Campos, 1963), “Pêndulo” (de E.M. de Melo e Castro, 1961/62) e “O Organismo” (de Décio Pignatari, 1960). Direção de Christian Caselli.

Semana da Poesia EV! – Domingo

27 mar

O “Poema em Linha Reta” de Fernando Pessoa, é narrado neste vídeo pelo ator Paulo Autran.

Semana da Poesia EV! – Sexta-Feira

25 mar

Achei esse poema de Georgea Fontes, uma ilustre desconhecida, nalgum lugar da internet. Resolvi compartilhar aqui no EV!, nessa sexta-feira da poesia.

Promessas – Georgea Fontes

Não prometo cuidar do seu jardim,
mas posso te levar flores.
Não prometo colorir sua vida, enfim,
mas posso te mostrar mais cores.

Talvez eu não possa te trazer a felicidade,
mas posso dividir a minha com você.
E, se tudo mais falhar, com sinceridade,
minha amizade, para sempre, você há de ter.

Mas promessas são só promessas.
Muitas são esquecidas com o tempo…
Algumas fogem com pressa,
outras ficam onde encontram alento.

Por isso só te prometo
o que realmente posso cumprir,
pois minhas promessas, decerto,
eu sei que não hão de fugir.

Semana da Poesia EV! + Lirismos de Quinta

24 mar

Hoje os Lirismos de Quinta, traz um belo poema de Drummond, em advento da Semana da Poesia no EV!

 

Segredo, Carlos Drummond de Andrade

A poesia é incomunicável.
Fique torto no seu canto.
Não ame.

Ouço dizer que há tiroteio
ao alcance do nosso corpo.
É a revolução? o amor?
Não diga nada.

Tudo é possível, só eu impossível.
O mar transborda de peixes.
Há homens que andam no mar
como se andassem na rua.
Não conte.

Suponha que um anjo de fogo
varresse a face da terra
e os homens sacrificados
pedissem perdão.
Não peça.

Semana da Poesia EV! – Quarta-Feira

23 mar

Nessa quarta-feira lírica, o EV! traz uma clássica canção escrita por Rita Lee, Roberto Carvalho e Arnaldo Jabor. Na voz dela.

AMOR E SEXO – Rita Lee, Roberto Carvalho e Arnaldo Jabor

Amor é um livro
Sexo é esporte
Sexo é escolha
Amor é sorte…

Amor é pensamento
Teorema
Amor é novela
Sexo é cinema..

Sexo é imaginação
Fantasia
Amor é prosa
Sexo é poesia…

O amor nos torna
Patéticos
Sexo é uma selva
De epiléticos…

Amor é cristão
Sexo é pagão
Amor é latifúndio
Sexo é invasão
Amor é divino
Sexo é animal
Amor é bossa nova
Sexo é carnaval
Oh! Oh! Uh!

Amor é para sempre
Sexo também
Sexo é do bom
Amor é do bem…

Amor sem sexo
É amizade
Sexo sem amor
É vontade…

Amor é um
Sexo é dois
Sexo antes
Amor depois…

Sexo vem dos outros
E vai embora
Amor vem de nós
E demora…

Amor é cristão
Sexo é pagão
Amor é latifúndio
Sexo é invasão
Amor é divino
Sexo é animal
Amor é bossa nova
Sexo é carnaval
Oh! Oh! Oh!

Amor é isso
Sexo é aquilo
E coisa e tal!
E tal e coisa!
Uh! Uh! Uh!
Ai o amor!
Hum! O sexo!

Semana da Poesia EV! – Terça-Feira

22 mar

Nessa terça poética, trazemos a poesia de Henriqueta Lisboa (1901-1985), poeta mineira considerada pela crítica um dos grandes nomes da lírica modernista.

O MENINO POETA – Henriqueta Lisboa

O menino poeta
não sei onde está
procuro daqui
procuro de lá
tem olhos azuis
ou tem olhos negros?
Parece Jesus
ou índio guerreiro?

Trá-lá-lá-lá-li
Trá-lá-lá-lá-lá.

Ai! que esse menino
será, não será?
procuro daqui
procuro de lá.

O menino poeta
quero ver de perto.
Quero ver de perto
para me ensinar
as bonitas coisas
do céu e do mar.

 

Semana da Poesia EV! – Segunda-Feira

21 mar

Há algo de poético no ar, algo esse que começou na última segunda-feira, “Dia Nacional da Poesia”.Após uma semana do dia nacional, hoje é o “Dia Mundial da Poesia”. Engraçado que tenha vindo cair justamente numa segunda-feira. Ironia do destino, talvez. Mas pelo menos é uma possibilidade de fazer a segunda (ainda que seu final) um pouco mais feliz. E pra uma semana que começa assim, liricamente, trazemos a “Semana da Poesia EV!” que rolou ano passado, em função da mesma data. Quem quiser enviar sua sugestão de poesia tá valendo: é só enviar pra gente via Twitter ou por e-mail: extravirgem@yahoo.com.br

Canção do Exílio, Gonçalves Dias

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas tem mais flores,
Nossos bosques tem mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar – sozinho, à noite –
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

————-

Canção do Exílio Às Avessas, Jô Soares

Minha Dinda tem cascatas

Onde canta o curió
Não permita Deus que eu tenha
De voltar pra Maceió.
Minha Dinda tem coqueiros
Da ilha de Marajó
As aves, aqui, gorjeiam
não fazem cocoricó.

O meu céu tem mais estrelas
Minha várzea tem mais cores.
Este bosque reduzido
Deve ter custado horrores.
E depois de tanta planta,
Orquídea, fruta e cipó
Não permita Deus que eu tenha
De voltar pra Maceió.

Minha Dinda tem piscina,
Heliporto e tem jardim
Feito pelas Brasil’s Garden
Não foram pagos por mim.
Em cismar sozinho à noite
Sem gravata e paletó
Olho aquelas cachoeiras
Onde canta o curió.

No meio daquelas plantas
Eu jamais me sinto só.
Não permita Deus que eu tenha
de voltar pra Maceió.
Pois no meu jardim tem lago
Onde canta o curió
E as aves que lá gorjeiam
São tão pobres que dão dó.

Minha Dinda tem primores
de floresta tropical
Tudo ali foi transplantado
Nem parece natural
Olho a jabuticabeira
Dos tempos da minha avó.
não permita Deus que eu tenha
de voltar pra Maceió.

Até os lagos das carpas
São de água mineral.
Da janela do meu quarto
Redescubro o Pantanal
Também adoro as palmeiras
Onde canta o curió
Não permita Deus que eu tenha
De voltar pra Maceió.

Finalmente, aqui na Dinda,
Sou tratado a pão-de-ló
Só faltava envolver tudo
Numa nuvem de ouro em pó.
E depois de ser cuidado
Pelo PC com xodó,
não permita Deus que eu tenha
de voltar pra Maceió.

————-

Canção de Regresso à Pátria, Oswald  de Andrade

Minha terra tem palmares

Onde gorjeia o mar

Os passarinhos aqui

Não cantam como os de lá

Minha terra tem mais rosas

E quase que mais amores

Minha terra tem mais ouro

Minha terra tem mais terra

Ouro terra amor e rosas

Eu quero tudo de lá

Não permita Deus que eu morra

Sem que volte para lá

Não permita Deus que eu morra

Sem que volte pra São Paulo

Sem que veja a Rua 15

E o progresso de São Paulo.

————-

Canção do Exílio Facilitada, José Paulo Paes

lá?
ah!
sabiá…
papá…
maná…
sofá…
sinhá…

cá?
bah!